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10 meses

Doria vê possível saída de Mandetta como 'desastre' e 'risco à saúde'

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

15/04/2020 13h08

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse hoje que uma possível saída de Luiz Henrique Mandetta do ministério da Saúde seria um desastre para o país. A demissão é considerada provável e já há informações de que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está sondando substitutos.

"Seria um desastre se tivermos a saída do Mandetta e também dos seus secretários. O ministro, os secretários e o ministério têm mostrado bom trabalho, respeito à ciência e à saúde", afirmou em entrevista coletiva. "Se houver a saída dele e de membros da equipe, entendo como desastre e risco à saúde pública do país. Corre o risco de não termos uma orientação técnica, mas sim política e ideológica."

O secretário de Saúde de São Paulo, José Henrique Germann, foi mais incisivo ao dizer que uma saída de Mandetta seria um erro estratégico do governo federal.

"É um erro estratégico por parte do governo de alterar esta equipe de trabalho que está absolutamente engajada e conhece profundamente os problemas que estamos vivendo no país. E tem relações com todos os estados em clima colaborativo", analisou.

O ministro Mandetta tem o cargo ameaçado há semanas porque diverge da maneira de enfrentar a pandemia. O presidente defende o isolamento apenas de pessoas em grupos de risco -idosos, diabéticos e portadores de doenças cardíacas. A justificativa é que as consequências econômicas causariam muitos problemas sociais.

A visão é considerada pouco científica por ir contra determinações da OMS (Organização Mundial de Saúde) e repetiria a experiência de locais como Milão, que afrouxou o isolamento social e computou muitas mortes. Com estes argumentos Mandetta manteve o discurso e viu sua popularidade subir.

A situação irritou Bolsonaro que chegou a dizer que faltava humildade. Na segunda-feira da semana passada, a demissão era considerada certa e o ministro da Saúde chegou a limpar as gavetas. Mas ministros militares convenceram o presidente a reverter a decisão.

Entrevista ao Fantástico irritou Planalto

A situação parecia contornada, mas em viagem a Goiás no final de semana, Bolsonaro fez questão de posar para fotos e criar aglomerações. Em Brasília, ele também entrou numa padaria para comprar um lanche e comeu no balcão, atitude proibida pelo governo do Distrito Federal

Esta insistência em dar demonstrações de rompimento ao isolamento social foi criticada por Mandetta em entrevista ao Fantástico no último domingo. O ministro não citou nomes, mas o recado estava claro. Pesou também o fato de ele aparecer na emissora que é considerada adversária por Bolsonaro,

Pedido de demissão de secretário do Ministério é lamentada

O governador de São Paulo também lamentou a notícia de que o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, pediu demissão na manhã de hoje. Segundo o político tucano, o país perde um "guerreiro".

"Lamento que o Wanderson pediu demissão. Lamentamos bastante que isso tenha acontecido. Perdemos um guerreiro que tem ajudado à saúde pública brasileira", afirmou.


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