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Cidade de SP vê lockdown necessário, mas espera Doria: 'cabe ao governador'

Dimas Tadeu Covas é coordenador do Centro de Contingência do coronavírus em São Paulo - Deyvid Edson / Estadão Conteúdo
Dimas Tadeu Covas é coordenador do Centro de Contingência do coronavírus em São Paulo Imagem: Deyvid Edson / Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

18/05/2020 09h49Atualizada em 18/05/2020 10h41

O coordenador do Centro de Contingência do coronavírus em São Paulo, Dimas Tadeu Covas, afirmou hoje que a "epidemia está evoluindo numa velocidade muito grande" e que a capital paulista já tem um cenário preparado para o eventual lockdown (fechamento total).

A cidade, que é o epicentro da pandemia no Brasil, já não vê mais alternativas para aumentar os índices de isolamento social, que não têm passado de 50%, mas aguarda a decisão do governador João Doria (PSDB) para decretar as restrições mais drásticas.

"O Centro de Contingência traça os cenários. Esse é o cenário que se apresenta nesse momento e cabe ao governador tomar as medidas. Esse cenário está sim sendo preparado", afirmou Dimas em entrevista à Globonews. "Cabe ao governador adotar ou não as medidas."

Hoje, em entrevista à CBN, Doria admitiu a possibilidade de lockdown, mas afirmou que não trabalha com sua adoção imediata.

Dimas é diretor do Instituto Butantã e assumiu o comando do Centro de Contingência após o afastamento do infectologista David Uip, que chegou a contrair o coronavírus e se recuperou da doença. Segundo Dimas, as medidas de isolamento social em vigor na cidade não têm mais funcionado para conter o avanço da epidemia.

"Essas medidas que estão em curso não surtiram efeito. Esse isolamento de 48%, 50%, 52%, 53% não é efetivo para controlar a infecção, a taxa de contágio, portanto terão que ser adotadas medidas mais efetivas, mais drásticas, no sentido de reduzir essa taxa de infecção", afirmou.

O chefe do Centro de Contingência paulista ainda acrescentou que a medida teria que ser tomada em breve, já que os efeitos só seriam sentidos no controle da covid-19 15 ou 20 dias depois. No entanto, ele reconhece que as restrições maiores de funcionamento do comércio e circulação de pessoas na maior cidade do país representariam uma "solução amarga".

"O lockdown, o tranca rua, é uma possibilidade. É sem dúvida nenhuma uma solução amarga, mas é uma forma efetiva de se controlar a epidemia e também de sair mais rápido da epidemia", disse Dimas, lembrando que assim a cidade poderia buscar uma reabertura poucas semanas depois.

São Paulo retomou hoje o esquema normal de rodízio de veículos, com restrições para carros conforme o final da placa e os dias da semana, além de valer apenas no centro expandido. Durante a semana passada, a Prefeitura adotou um rodízio diferente, em tempo integral e em toda a cidade, mas a medida não surtiu o efeito esperado no aumento das taxas de isolamento social.

Testes para quem teve contato com infectado

Dimas destacou o esforço que o estado de São Paulo iniciou nos últimos dias para ampliar sua capacidade de testagem. Desde a última sexta-feira (15), testes rápidos já vêm sendo aplicados em integrantes da Polícia Militar, mas um outro modelo também será destinado a pessoas que tiveram contato com pessoas contaminadas.

"A testagem é uma estratégia que se denominou testagem ampliada, que envolve três fases. Um é o próprio PCR, que passa a ser oferecido para contatos de pacientes internados e também pacientes sintomáticos leves que estão disparados pelo estado em diversos municípios", esclareceu Dimas.

Os testes PCR analisam o RNA do vírus após transformá-lo em DNA. O procedimento dá resultados mais precisos que os testes rápidos. Outro tipo de testagem mais eficiente é a sorológica, que busca identificar anticorpos da covid-19 no sangue do paciente.

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