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Saúde ignora marca de mil mortes e foca em aleitamento e atendimento remoto

Juliana Arreguy

Do UOL, em São Paulo

19/05/2020 20h58Atualizada em 20/05/2020 01h02

No mesmo dia em que o Brasil registrou mais de mil mortes em 24 horas pelo novo coronavírus, o Ministério da Saúde dedicou a entrevista coletiva diária a dois assuntos: doação de leite materno e atendimento remoto aos profissionais da área da saúde.

Ainda, a pasta enviou um e-mail com a divulgação da quantidade de casos recuperados da doença, sem mencionar a pior marca de óbitos no país desde o início da pandemia.

Pelo segundo dia seguido, o ministro interino da pasta, Eduardo Pazuello, não esteve presente na entrevista. Ele não participou dos balanços técnicos do Ministério da Saúde desde a saída de Nelson Teich, na última sexta-feira, embora tenha nomeado hoje nove militares para cargos dentro do ministério.

No momento do anúncio, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) encontrava-se em uma live com um jornalista. O mandatário não fez comentários a respeito do recorde negativo do país.

A coletiva foi concedida por duas secretárias da atenção primária, que mencionaram a redução de 5% da quantidade de doação de leite materno e afirmaram que "esta é a preocupação do Ministério da Saúde". No entanto, a pasta pouco acrescentou sobre cuidados específicos para lactantes em meio à pandemia do novo coronavírus.

Na sequência, foi anunciado um sistema de atendimento psicológico remoto — tanto por telefone como online — para profissionais da área da saúde que atuam no combate à covid-19. A ação não é novidade e já havia sido citada anteriormente pela pasta.

O UOL questionou o Ministério da Saúde a respeito da ausência de um piso nacional para enfermeiros e auxiliares de enfermagem, profissionais que mantém contato direto com os pacientes e estão entre os mais infectados pelo coronavírus na área médica.

Sem um salário mínimo da categoria, cada estado negocia os valores por meio de coletivos e sindicatos, levando enfermeiros e auxiliares a jornadas exaustivas em mais de uma unidade de saúde, aumentando ainda mais o risco de exposição.

A pasta não respondeu ao questionamento durante a coletiva e nem mesmo depois, quando questionada novamente por meio de mensagem enviada à assessoria de imprensa.

Na semana passada, o país registrou 199.768 profissionais de saúde com suspeita de covid-19. A maioria (34,2%) era formada por técnicos ou auxiliares em enfermagem, seguidos por enfermeiros (16,9%).

Pasta ignora números

O balanço atualizado com os casos e óbitos de coronavírus no país foi divulgado à imprensa 19h19. Até 20h55, o Ministério da Saúde não havia divulgado em nenhuma rede social que o país registrou 1.179 óbitos entre ontem e hoje, totalizando 17.971 mortes pela covid-19.

No entanto, menos de uma hora depois, enviou um e-mail aos jornalistas destacando a quantidade de casos recuperados da doença, cerca de 106.794 pacientes, o equivalente é 39,3% do total de diagnosticados.

O e-mail tratava exclusivamente dos casos recuperados e em observação, sem tratar dos novos diagnósticos e mortes pela doença.

"Subiu para 106.794 o número de pessoas recuperadas da COVID-19 no Brasil, o que representa 39,3% do total de casos confirmados até o momento: 271.628. Nesta segunda-feira (18) o Brasil bateu a marca de 100 mil casos recuperados. As informações foram atualizadas até as 19h desta terça-feira (19/5) pelas Secretarias Estaduais de Saúde de todo o país. Outras 146.863 pessoas estão sendo acompanhadas (54,1%) pelos profissionais de saúde. Nas últimas 24h, 6.335 pessoas se recuperaram da doença.", diz a pasta.

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