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SP tem recorde de mortes por covid-19 na primeira semana de flexibilização

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

02/06/2020 13h51Atualizada em 02/06/2020 18h48

São Paulo chegou a 327 mortes e 6.999 casos de covid-19 nas últimas 24 horas — os números mais altos confirmados em um dia desde o início da pandemia. Até o momento, 7.994 pessoas morreram e 118.295 estão infectadas pela doença causada pelo novo coronavírus no estado.

Os índices mais altos atingidos em 24 horas até o momento foram os de 6.382 diagnósticos em 28/5 e 324 óbitos em 19/5. Os números não indicam que as mortes ocorreram no período, mas o momento em que foram oficialmente registradas. Por conta do período de incubação do novo coronavírus, os dados podem indicar contaminações que ocorreram até cerca de duas semanas atrás.

Os novos marcos foram atingidos na semana em que o estado começa a flexibilizar o isolamento social levando em consideração os dados de cada região. Na última quarta-feira, o estado foi dividido em 18 regiões e, em 15 delas, foi permitida a reabertura de parte das atividades econômicas.

Em entrevista coletiva hoje, o comitê de saúde atribuiu ao aumento da capacidade de testagem a evolução nos números observadas nos últimos dias. A expectativa, afirmaram, é de que, por esse motivo, os índices continuem subindo.

"Vamos testar pessoas que não têm sintomas claros, mas que tiveram contato com quem teve covid-19. Esses pacientes não vão precisar ser internados. O que comanda a internação é o quadro clínico", explicou Carlos Carvalho, novo coordenador do centro de contingência ao coronavírus.

Segundo ele, o aumento no número de exames pesou na elaboração dos critérios de reabertura. "Todo mundo usa máscara hoje, e isso colaborou. A impressão nossa, depois de muita discussão, era que o momento era adequado para uma maior testagem."

Carvalho justifica que, apesar de os números aparentarem um agravamento da situação, "não mudou praticamente nada em relação à condição anterior".

Mesmo com o recorde, a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, afirmou que o caso não significa necessidade de rever o protocolo adotado pelo governo.

Ela declarou que decisões são tomadas com base em um período longo de análise e afirmou que não haverá hesitação em retroceder a flexibilização caso ocorra um aumento de internações e mortes de covid-19.

"Este governo não tem medo de retroceder. Nós não passamos esses dois meses no sacrífico que nós fizemos para colocar tudo a perder", disse em entrevista coletiva concedida hoje no Palácio dos Bandeirantes.

Segundo o secretário de Saúde do Estado de São Paulo, José Henrique Germann, a taxa de ocupação dos leitos de UTI no Estado todo é de 73,5%. Na Região Metropolitana de São Paulo, 83,5% estão ocupados.

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