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Saúde promete divulgar dados às 18h com número total de mortes e casos

Agente funerário caminha em cemitério do Rio de Janeiro durante pandemia do coronavírus - Buda Mendes/Getty Images
Agente funerário caminha em cemitério do Rio de Janeiro durante pandemia do coronavírus Imagem: Buda Mendes/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

08/06/2020 18h31Atualizada em 08/06/2020 19h55

O Ministério da Saúde prometeu, em coletiva realizada hoje no Palácio do Planalto, que voltará a divulgar a atualização sobre a pandemia do coronavírus no Brasil às 18h com dados totais acumulados de casos e mortos. A pasta não divulgou a partir de que dia voltará a anunciar os dados mais recentes no horário.

Hoje, o boletim diário foi publicado depois desse período, mas antes das 19h, confirmando 679 novas mortes por covid-19 registradas nas últimas 24 horas e ainda não trouxe os dados totais.

A justificativa do governo para os problemas recentes foram questões técnicas e aprimoramentos do portal oficial, que voltará a ser disponibilizado em breve.

"Nós pactuamos com estados e municípios o envio de informações. Essa informação será compilada e publicada uma vez por dia. Se conseguirmos resolver problemas de ordem técnicas, conseguiremos receber tudo até 16h e divulgar às 18h", disse o secretário-executivo, Élcio Franco.

"É uma plataforma interativa onde o usuário poderá acompanhar os dados", disse Franco. "Ela terá dados aprimorados e será possível trabalhar por capital, região metropolitana, interior, estado como um todo", acrescentou.

O governo salientou que, caso haja problemas técnicos em algum estado, como problemas de conexão, não será possível atualizar as informações até o horário previsto. O ministério voltou a afirmar que os problemas de acessos ocorreram devido a tentativas de invasões do DATASUS.

O diretor de Análise de Saúde e Vigilância do ministério, Eduardo Macário, afirmou que a nova modalidade permitirá um conhecimento maior sobre as datas de ocorrência das mortes.

"Muitas vezes o óbito aconteceu semanas atrás, e a confirmação laboratorial pode levar muito tempo, uma semana, duas semanas. Aí no momento que atualiza, ele acaba atualizando não só as informações daquilo que ocorreu hoje, mas também de um dia, dois dias atrás, como semanas atrás, e isso é algo que vem ocorrendo no dia a dia dessa pandemia. Quando nós tivermos acesso integral por meio do sistema de forma consistente da data de ocorrência do óbito, vamos ter uma curva com dimensão sem tantas quedas, vai ter realmente uma informação consistente", disse.

"Estamos tomando providências para melhorar capacidade dos estados para realizar os exames e nós termos os dados o mais rápido possível", acrescentou Franco.

As novas medidas que estão sendo tomadas são: redução na ficha de estados e municípios para contemplar apenas os campos essenciais; auxiliar estados e municípios na recomposição da equipe; capacitar por meio de plataformas digitais grande contingente de técnicos nos níveis estaduais e municipal; garantir que DATASUS ofereça suporte operacional e estrutural para que o SIVEP-Gripe continue a dar vazão aos registros.

Veículos de imprensa se uniram para apresentar dados

Em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia de Covid-19, os veículos de comunicação UOL, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo, G1 e Extra decidiram formar uma parceria e trabalhar de forma colaborativa para buscar as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal.

Em uma iniciativa inédita, equipes de todos os veículos vão dividir tarefas e compartilhar as informações obtidas para que os brasileiros possam saber como está a evolução e o total de óbitos provocados pela covid-19, além dos números consolidados de casos testados e com resultado positivo para o novo coronavírus.

O governo federal, por meio do Ministério da Saúde, deveria ser a fonte natural desses números, mas atitudes recentes de autoridades e do próprio presidente colocam em dúvida a disponibilidade dos dados e sua precisão.

Problemas com dados

Mudanças feitas pelo Ministério da Saúde na publicação de seu balanço da pandemia reduziram a quantidade e a qualidade dos dados.

Primeiro, o horário de divulgação, que era às 17h na gestão do ministro Luiz Henrique Mandetta (até 17 de abril), passou para as 19h e depois para as 22h. Isso dificulta ou inviabiliza a publicação dos dados em telejornais e veículos impressos. "Acabou matéria no Jornal Nacional", disse o presidente Jair Bolsonaro, em tom de deboche, ao comentar a mudança.

A segunda alteração foi de caráter qualitativo. O portal no qual o ministério divulga o número de mortos e contaminados foi retirado do ar na noite da última quinta-feira. Quando retornou, depois de mais de 19 horas, passou a apresentar apenas informações sobre os casos "novos", ou seja, registrados no próprio dia. Desapareceram os números consolidados e o histórico da doença desde seu começo.

Também foram eliminados do site os links para downloads de dados em formato de tabela, essenciais para análises de pesquisadores e jornalistas, e que alimentavam outras iniciativas de divulgação.

Entre os itens que deixaram de ser publicados estão: curva de casos novos por data de notificação e por semana epidemiológica; casos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica; mortes por data de notificação e por semana epidemiológica; e óbitos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica.

No domingo (7), o governo anunciou que voltaria a informar seus balanços sobre a doença. Mas mostrou números conflitantes, divulgados no intervalo de poucas horas.

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