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Ex-secretário Ferry cita 'descalabro' e vê agravamento de protestos no Rio

Fernando Ferry revelou surpresa com situação da saúde do Rio e citou momento embaraçoso em sua gestão - Reprodução/TV Globo
Fernando Ferry revelou surpresa com situação da saúde do Rio e citou momento embaraçoso em sua gestão Imagem: Reprodução/TV Globo

Do UOL, em São Paulo

23/06/2020 08h44

Fernando Ferry, que ficou no cargo de secretário estadual de Saúde do Rio por apenas 36 dias, afirmou que seu pedido de demissão veio após constatar um "descalabro administrativo" que nunca havia visto.

Em entrevista ao jornal O Globo, o agora ex-secretário citou que a questão sanitária no Rio tem um "poço muito mais fundo" do que imaginava.

"Hoje a gente esbarra num problema da falta de equipamentos, de respiradores, de remédio. Eu vi que o poço é muito mais fundo do que pensava", disse ele, antes de citar uma situação que viveu nos últimos dias.

"Para se ter uma ideia, marquei uma reunião com representantes do sindicato dos enfermeiros para ver uma questão de 240 profissionais que foram demitidos, e, no dia da reunião, o meu superintendente de Finanças foi preso. Eu fiquei muito assustado. Eu falei para a mulher do sindicato: 'Desculpa, o Fred foi preso. O que você quer que eu faça?'. No dia seguinte, ela pegou um carro de som e foi para a frente da secretaria. Depois, descobri que ela é filiada a um partido político e vai ser candidata a vereadora. Tem um jogo político muito forte, e eu não sou político. Sou um quadro técnico", afirmou ao veículo.

Ferry também contou que não vai "sujar seu CPF" por erros passados. "Tem uma série de coisas que fizeram na gestão passada e que, no momento, não dá para resolver de jeito nenhum juridicamente. Até resolver todos os imbróglios administrativos, iria demorar mais uns dois ou três anos. Pensei: 'Até um certo tempo, a culpa é da gestão passada, mas, depois de um certo tempo, a culpa passa a ser do gestor que assumiu'. Fiquei com medo de responder na Justiça", completou.

Servidores sem pagamento

Uma das situações impossíveis de se resolver a curto prazo, segundo Ferry, são os contratos vencidos e não pagos pelo governo. Ele prevê que a situação deve se agravar em breve.

"Nas próximas semanas, protestos de servidores da Saúde vão se agravar. São dez unidades de saúde com contratos vencendo. Muitos profissionais ficarão sem pagamento. Perguntei à Procuradoria Geral do Estado se eu poderia pagar, mas informaram que eu incorreria em improbidade administrativa", explicou ao O Globo.

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