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Saúde

Após 4 meses interino, Pazuello assume Saúde e minimiza convívio com covid

Juliana Arreguy

Do UOL, em São Paulo

16/09/2020 17h36Atualizada em 16/09/2020 20h16

Ao ser anunciado como ministro efetivo da Saúde, o general Eduardo Pazuello elogiou hoje o SUS (Sistema Único de Saúde), defendeu o tratamento precoce de pacientes diagnosticados com covid-19 e criticou o isolamento social como medida para conter a pandemia.

Durante o pronunciamento, Pazuello, que ocupava o cargo interinamente desde de que, Nelson Teich, deixou o cargo em 15 de maio deste ano, declarou que ficar em casa "não é o melhor remédio" para evitar propagar o vírus, uma postura oposta à do ex-ministro e ao antecessor dele, Luiz Henrique Mandetta. Ambos deixaram o governo federal após discordâncias públicas entre as medidas defendidas por eles e pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O aprendizado ao longo da pandemia mostrou que quanto mais cedo atendermos os pacientes, melhor a chance de recuperação. O tratamento precoce salva vidas. Por isso, temos falado dia após dia, 'não fique em casa', receba o diagnóstico clínico do médico. Receba o tratamento precoce."

General Pazuello toma posse no ministério da Saúde ao lado do presidente Jair Bolsonaro - Marcelo Camargo/Agência Brasil - Marcelo Camargo/Agência Brasil
General Pazuello toma posse no ministério da Saúde ao lado do presidente Jair Bolsonaro
Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Pazuello reiterou que seu discurso seria de continuidade, e não de início. Assim, defendeu que a covid-19, que já matou mais de 134 mil pessoas em todo o país, seja vista como algo do dia a dia do país.

O que sera o novo normal? Novos hábitos, mais atenção a medidas de profilaxia e higiene, condutas de tratamento médico e precoce, naturalidade em conviver com a doença, assim como outras do nosso cotidiano."

Terceiro ministro a comandar as medidas de enfrentamento à pandemia desde o primeiro caso brasileiro, Pazuello defendeu o SUS e sua importância na mitigação da doença em território nacional. "Combatemos não só a covid-19, mas também as demais doenças que afligem nosso povo. Utilizamos, para isso, a melhor ferramenta que poderíamos ter: o SUS."

O ministro acrescentou que a situação do coronavírus no Brasil é considerada estável e afirmou que algumas regiões já estão retornando à normalidade.

Conseguimos alcançar situação de estabilidade. No Norte e Nordeste, os números estão entrando em declínio e as pessoas estão voltando às atividades normais."

O país apresenta média móvel de 813 mortes nos últimos sete dias. Embora o valor demonstre estabilidade de óbitos em 14 dias, ontem o país quebrou uma sequência de sete dias apresentando desaceleração na quantidade de mortes pela doença.

Bolsonaro critica ex-ministros

Em seu discurso, o presidente voltou a defender a adoção da cloroquina no tratamento de casos leves da covid-19 e criticou os antigos ocupantes da Saúde.

"O primeiro problema com o primeiro ministro foi a questão da nossa conhecida hidroxicloroquina. Eu aceito, mesmo não sendo médico, qualquer crítica a ela por parte das pessoas que possam apresentar uma alternativa", disse, referindo-se a Mandetta.

"Com o ministro da Saúde anterior nada foi resolvido nas nossas conversas. Eu aprendi no meio militar, e vale para todos nós, que pior que uma decisão mal tomada é indecisão", afirmou, sobre Teich.

Pazuello é o 3º ministro da Saúde no ano

Embora Pazuello já atuasse como interino desde a saída de Teich, o anúncio só foi feito no DOU (Diário Oficial da União) 19 dias depois, em 3 de junho.

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Os ministros Mandetta, Teich e Pazuello
Imagem: Arte UOL

Quando Teich deixou o cargo, o Brasil registrava 14.817 mortes pelo novo coronavírus. Até a tarde de hoje, o país ultrapassava 133 mil óbitos, totalizando 133.119 mortes decorrentes da doença — de acordo com dados fornecidos pelo próprio Ministério da Saúde.

O ministro é o terceiro a chefiar a pasta da Saúde em 2020. Até o dia 16 de abril, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) ocupava o cargo. Ele deixou o posto após desentendimentos com Bolsonaro sobre o isolamento social — Mandetta era favorável à quarentena, e Bolsonaro, contra — e também sobre o uso da hidroxicloroquina no tratamento para a covid-19.

Sem comprovação científica sobre a eficácia da medicação, utilizada para tratamentos de lúpus, malária e artrite, Mandetta seguia orientações da OMS (Organização Mundial de Saúde), que afirma não haver medicamentos para a cura da doença. Já Bolsonaro, defensor da cloroquina, defendia desde março a adoção de tratamentos precoces com o princípio ativo.

Com a saída de Mandetta, o médico Nelson Teich assumiu a pasta por apenas um mês; ele pediu demissão do cargo por também divergir do chefe do Executivo sobre a criação de um protocolo para o uso da hidroxicloroquina no tratamento para a covid-19.

Cinco dias após a saída de Teich, o ministério da Saúde divulgou um protocolo recomendando o uso de cloroquina para casos leves do novo coronavírus.

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O general era secretário-executivo do ministério da Saúde antes de assumir como ministro
Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Mais um militar

A efetivação de Pazuello implica em mais um militar no alto escalão do governo. Além do presidente e seu vice, Hamilton Mourão (PRTB), há 10 militares entre os 23 ministros do governo. São eles:

  • Augusto Heleno (GSI)
  • Bento Albuquerque (Minas e Energia)
  • Eduardo Pazuello (Saúde)
  • Fernando Azevedo (Defesa)
  • Jorge Oliveira (Secretaria-Geral)
  • Luiz Eduado Ramos (Secretaria de Governo)
  • Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia)
  • Tarcísio Freitas (Infraestrutura)
  • Walter Braga Netto (Casa Civil)
  • Wagner Rosário (CGU)

A condição de Pazuello enquanto general foi elogiada por Bolsonaro durante a cerimônia de posse. "Só acreditei no meu convite dada sua vida pregressa", declarou o presidente da República. Ele ainda se referiu ao ministro como "prezado colega paraquedista" e o convidou para saltarem juntos.

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