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Conteúdo publicado há
11 meses

Números sobem, mas Bolsonaro diz que Brasil vive "finalzinho da pandemia"

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

10/12/2020 11h10Atualizada em 10/12/2020 13h21

No momento em que cresce o número de mortes e casos de covid-19 no país e estados ampliam medidas restritivas com medo de uma segunda onda de contágio, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarou hoje que o Brasil está vivendo o "finalzinho da pandemia" do coronavírus.

Ainda estamos vivendo um finalzinho de pandemia
Jair Bolsonaro

A declaração ocorreu durante agenda presidencial em Porto Alegre, na manhã de hoje. Bolsonaro discursou na cerimônia de inauguração do eixo principal da nova ponte do Guaíba, uma das principais vias de acesso da capital gaúcha.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, a média móvel de mortes pela doença está em alta e atingiu seu pico esta semana. Essa não foi a primeira vez que Bolsonaro minimizou os efeitos do novo coronavírus, que ele já classificou como "gripezinha".

No evento, o presidente pediu licença para falar de realizações do governo e enfatizou a criação do auxílio emergencial, benefício instituído durante a pandemia para socorrer trabalhadores informais e autônomos e pessoas de baixa renda.

"O auxílio emergencial foi diretamente na veia, na conta de 67 milhões de brasileiros que precisavam disso aí. Isso fez também rodar a economia", declarou ele, em referência ao programa social. O auxílio tem apontado como um dos fatores que levaram ao crescimento da popularidade de Bolsonaro durante a pandemia. O presidente deverá concorrer à reeleição em 2022.

Em março, o governo Bolsonaro propôs que o auxílio emergencial fosse de R$ 200. Diante da recusa do Congresso, que pretendia subir o valor para R$ 500, o presidente sancionou o benefício na quantia mensal de R$ 600.

Hoje, o presidente ainda criticou o tom usado pela imprensa no início da pandemia que, segundo ele, "gerou pavor". "Nós devemos enfrentar os problemas. Não levar o caos, pavor. O que aconteceu no início da pandemia não leva a nada."

Aumento de casos e mortes no Brasil

Ontem, o Brasil registrou 848 novos óbitos causados pela covid-19, o maior registro em 24 horas desde 12 de novembro. Além disso, 21 estados mais o Distrito Federal apresentaram tendência de aceleração na média de mortes, o maior número desde o início do cálculo pelo consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte.

Estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, além de capitais como Belo Horizonte e Salvador já aumentaram as restrições para evitar um número maior de contágios. Ao todo, o Brasil registra 179.032 óbitos causados pela covid-19.

Contrariando dados, presidente volta a defender cloroquina

No evento de hoje, o presidente voltou a defender o uso da hidroxicloroquina e relacionou a queda de mortes no Brasil ao medicamento, sem apresentar dados que comprovassem a relação. Estudos já comprovaram que a cloroquina e a hidroxicloroquina não funcionam no tratamento da covid-19.

"A África não teve tantas mortes. Todos esperavam o contrário, que pessoas pobres, com necessidades seriam as mais afetadas. E por quê? Porque o elemento chegava lá com malária e covid, tomava cloroquina e melhorava. Precisa ser muito inteligente para saber que a cloroquina serve para as duas coisas? Não precisa. O Brasil começou cada vez mais a vencer obstáculos", afirmou.

Segundo especialistas, as razões para os índices mais baixos de coronavírus na África são cinco: o controle de outras epidemias, como ebola e cólera; uma suposta imunidade maior da população; o fator etário, considerando que a África tem uma população média jovem e a covid-19 é mais letal entre os mais velhos; a comunicação menor com populações de outros continentes, reduzindo a possibilidade de contágio; e por fim, os baixos índices de testagem. Apesar disso, a África do Sul já admitiu que vive, neste momento, uma segunda onda de coronavírus.

Bolsonaro viajou a Porto Alegre acompanhado do ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas, do ministro da Cidadania, Onix Lorenzoni, e inaugurou a obra ao lado do governador Eduardo Leite (PSDB). Ainda hoje, serão abertos ao tráfego mais 27,1 quilômetros de novas pistas duplicadas da BR-116, entre Guaíba e Pelotas, em Barra do Ribeiro, no km 330, sentido interior-capital.

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