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2 meses

Na contramão de Bolsonaro, plano quer transmitir segurança das vacinas

Presidente Bolsonaro tem colocado em dúvida a eficácia das vacinas; já o Ministério diz querer tranquilizar a população - Reuters
Presidente Bolsonaro tem colocado em dúvida a eficácia das vacinas; já o Ministério diz querer tranquilizar a população Imagem: Reuters

Guilherme Mazieiro, Hanrrikson de Andrade e Stella Borges*

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

16/12/2020 10h58Atualizada em 16/12/2020 14h22

O Ministério da Saúde informou hoje que está desenvolvendo uma campanha de comunicação que tem como objetivo informar e dar segurança à população sobre a eficácia das vacinas contra a covid-19 que serão usadas pelo Brasil.

Apesar disso, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, admitiu quem quem tomar uma vacina de uso emergencial autorizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), ainda sem registro definitivo, precisará assinar um termo de responsabilidade.

A informação sobre as fases de comunicação foi detalhada hoje pelo secretário de Vigilância Sanitária e Saúde, Arnaldo Medeiros, durante lançamento do Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19, e vai na contramão da postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que já disse em mais de uma ocasião que não tomará o imunizante e levantou suspeitas sobre a eficácia. Foi Bolsonaro quem primeiro falou em um termo de responsabilidade para os vacinados.

Ontem, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o relatório da MP (Medida Provisória) 1003/20, que trata da adesão do Brasil à aliança global pela vacina igualitária contra a covid-19, não vai incluir o termo de consentimento exigido pelo governo para vacinar a população.

Segundo a pasta, a campanha de comunicação está sendo desenvolvida em duas fases:

  • Fase 1 - Campanha de informação sobre o processo de produção e aprovação de uma vacina, com vistas a dar segurança à população em relação a eficácia do(s) imunizante(s) que o país vier a utilizar, bem como da sua capacidade operacional de distribuição.
  • Fase 2 - Campanha de Informação sobre a vacinação, públicos prioritários e demais, dosagens, locais etc. Prevista para iniciar assim que tenhamos a definição das vacinas.

A fase 1 tem intuito de esclarecer a eficácia dos imunizantes, a capacidade de operação e como a população deve baixar o aplicativo ConectSus [com a carteirinha de vacinação. E na fase 2, quando vier a vacinação, vamos convocar os grupos para obter imunizantes. É nesse sentido que pensamos que a vacinação é o Brasil em ação pela proteção
Arnaldo Medeiros, secretário de Vigilância Sanitária e Saúde

Pazuello destaca eficiência do PNI

Em seu discurso, o ministro Pazuello, também destacou a eficiência de campanhas brasileiras de vacinação e destacou a experiência do Brasil.

"Claro que a última fase é o monitoramento dos vacinados para atender qualquer necessidade. Isso é o planejamento. Quando a gente tem noção do tamanho do PNI, vê quanta desinformação corre a respeito da capacidade do Brasil para conduzir essa missão. Vamos nos orgulhar da nossa capacidade. Não foi feita por mim. Foram nossos antecessores que criaram o SUS [Sistema Único de Saúde], organizaram o PNI. Então vamos levantar a cabeça. Acreditem: o povo brasileiro tem capacidade de ter o maior sistema único de saúde do mundo", disse o general.

No evento desta manhã, o presidente esteve acompanhado de outros quatro militares à frente no palco onde foram feitos os discursos: Pazuello, Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Braga Netto (Casa Civil) e Fernando Azevedo e Silva (Defesa). Nenhum deles usava máscara.

Segundo o Ministério da Saúde, todos os governadores, laboratórios que estudam vacinas e associações de prefeitos foram convidados. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) não foi ao evento. Desafeto político de Bolsonaro, ele justificou que é seu aniversário de 63 anos, vai ficar próximo à família e despachar de São Paulo. Em seu lugar foi enviado o secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn.

Plano inclui CoronaVac

O plano de imunização já havia sido apresentado ao STF (Supremo Tribunal Federal) na semana passada. O documento inclui a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan (SP) em parceria com o laboratório chinês Sinovac e outros 11 imunizantes, entre eles Pfizer/BioNtech, Oxford/AstraZeneca e Sputnik V.

Nesta semana, a AGU (Advocacia-Geral da União) respondeu a questionamentos do STF e informou que a vacinação começará cinco dias após aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância em Saúde) e da entrega das doses por algum laboratório.

O país registra 182.854 mortes desde o início da pandemia. O total de infectados subiu para 6.974.258, segundo dados divulgados ontem (15) pelo consórcio de imprensa, do qual o UOL faz parte.

*Colaborou Allan Brito, em São Paulo

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