PUBLICIDADE
Topo

Coronavírus

Conteúdo publicado há
3 meses

Irresponsabilidade tem limite, diz Maia ao criticar "atraso" em vacinação

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, cita coragem e irresponsabilidade na demora do começo da vacinação contra a covid-19 pelo governo federal -  Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados
Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, cita coragem e irresponsabilidade na demora do começo da vacinação contra a covid-19 pelo governo federal Imagem: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

08/01/2021 15h39Atualizada em 08/01/2021 18h34

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou hoje que a "irresponsabilidade" tem "limite" ao ser questionado sobre o fato de o Brasil ainda não ter iniciado a vacinação contra a covid-19 e disse que "felizmente" o governo assumiu a importância da vacina CoronaVac, produzida por um laboratório chinês em parceria com o Instituto Butantan.

Ontem, o Ministério da Saúde anunciou ter assinado um contrato com o Butantan, em São Paulo, para receber 46 milhões de doses da CoronaVac até abril e mais 54 milhões de doses até o fim do ano. O Butantan é ligado ao governo estadual de São Paulo. Este, por sua vez, é comandado pelo rival político do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o governador João Doria (PSDB).

Durante visita a Teresina, no Piauí, uma jornalista perguntou a Maia como enxerga a "demora" na vacinação e a "resistência" à CoronaVac. "Finalmente, o governo [federal] aceitou. É questão política, é técnica?", questionou a repórter.

"Acho que a coragem tem sempre limite, né? E a irresponsabilidade, felizmente, também. Com perdas de vidas. Porque a cada dia de atraso na vacinação, temos mil mortes por dia. Cada dia de atraso é um número grande de mortos, de vidas brasileiras que estamos perdendo. Então, foi uma irresponsabilidade grande. Na narrativa continua sendo uma irresponsabilidade grande em relação à saúde dos brasileiros. Mas, felizmente, ontem, no dia em que infelizmente chegamos a 200 mil mortes, o governo resolveu, então, pela primeira vez, assumir a importância da vacina do Butantan, que é a que está pronta, aprovada [ainda não liberada pela Anvisa]", declarou Maia.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recebeu hoje o pedido de uso emergencial do Instituto Butantan para a CoronaVac. Mais tarde, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) também fez o pedido de autorização para o uso emergencial de 2 milhões de doses prontas da vacina de Oxford/AstraZeneca que serão importadas da Índia.

O uso emergencial permite a vacinação em grupos de risco como idosos, indígenas e profissionais da saúde. Para ambos os casos, a Anvisa estima que a análise deve levar até dez dias.

O presidente da Câmara voltou a elogiar o trabalho realizado pelo Butantan, criticou o "negacionismo" do governo federal e afirmou que, por isso, é importante uma Câmara dos Deputados independente.

Ele esteve em Teresina hoje junto ao seu candidato para sucedê-lo no comando da Câmara, Baleia Rossi (MDB-SP), para conversarem com o governador do estado, Wellington Dias (PT), e parlamentares.

Baleia prega a ideia de ser o candidato "independente", pois seu principal adversário na disputa é Arthur Lira (PP-AL), apoiado nos bastidores pelo governo federal.

Rodrigo Maia também voltou a criticar declarações de Jair Bolsonaro quanto a supostas fraudes na eleição de 2018, na qual foi eleito para presidente da República. Ontem, Bolsonaro disse, mais uma vez, sem provas, que a eleição foi fraudada e que "se nós não tivermos o voto impresso em [20]22, uma maneira de auditar voto, nós vamos ter problemas piores do que os Estados Unidos".

Maia disse ser importante que os partidos políticos questionem Bolsonaro na Justiça. Parlamentares do PT e do Pros já pediram ontem que a PGR (Procuradoria-Geral da República) e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) investiguem as falas de Bolsonaro.

"Ele fez um ataque grave ao TSE, aos seus ministros, e precisa dar uma resposta clara de onde está essa gravidade toda. Porque, no mínimo, se ele não responder, é crime de injúria. É importante que o presidente pare de usar essa retórica de ameaça, de ataque, e que todos nós, nesse momento, principalmente os partidos políticos que representam a democracia também, questionemos o presidente toda vez que ele soltar frases de efeito ameaçando nossa democracia, como ameaçou a democracia americana o presidente Trump", afirmou Maia.

Coronavírus