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Coronavírus

Fizemos teste mais drástico que se pode fazer com vacina, diz Dimas Covas

Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, durante entrevista coletiva que anunciou taxa de eficácia global da CoronaVac - Divulgação
Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, durante entrevista coletiva que anunciou taxa de eficácia global da CoronaVac Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

12/01/2021 18h33

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse hoje que a eficácia global de 50,38% da CoronaVac foi constatada em estudos clínicos realizados no Brasil porque a instituição optou pelo "teste mais drástico que se pode fazer com uma vacina". A justificativa veio após a repercussão de que o imunizante contra a covid-19 ficou por muito pouco acima do mínimo de 50% de eficácia exigido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para o possível aval de aplicação.

Covas explicou que os testes realizados no Brasil são diferentes de estudos de fase 3 feitos em outros países e com outros imunizantes. O diretor do Butantan alegou que o instituto, que é ligado ao governo paulista, preferiu reunir como voluntários apenas profissionais da saúde.

"Faz uma diferença enorme. Cada estudo clínico é feito numa população definida e tem um objetivo definido. Então, no geral, as eficácias não são comparáveis. Nós teríamos que ter o mesmo tipo de estudo para comparar, não é o caso", disse Covas em entrevista à GloboNews, poucas horas após participar do evento no qual o Butantan divulgou os detalhes dos dados de eficácia.

"Nesse nosso estudo, nós fizemos o teste mais drástico que se pode fazer com uma vacina. Nós aplicamos a vacina nos profissionais de saúde, que têm um convívio diário com o vírus. Então eles estão submetidos a um alto risco, e isso foi evidenciado no estudo", acrescentou o diretor do Butantan.

Covas ainda argumentou que os 12.476 voluntários analisados até agora nos estudos tiveram uma incidência maior de contato com o novo coronavírus. Segundo o diretor, o índice de contaminação foi superior a 20%.

"Isso é totalmente diferente dos outros grupos que foram avaliados por outras vacinas, e são grupos populacionais, que são uma população normal, com incidência inferior a 5%. Esse é o único teste no mundo que usou esse tipo de população, é o teste mais radical ao qual uma vacina pode ser submetida, e a vacina teve um ótimo desempenho."
Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan

Para Covas, quando a vacinação com a CoronaVac começar, a vacina deve ter índices de eficácia melhores entre a população em geral do que apresentou nos estudos clínicos.

"A partir desses dados, é possível inferir que, para as populações normais, todos esses dados, todos esses cálculos de eficácia serão muito melhores do que para essa população em especial. Acho que esse é o cuidado que se tem que ter", concluiu.

Eficácia abaixo de outras vacinas

No anúncio que detalhou a eficácia global da CoronaVac, o próprio Butantan lembrou que outros imunizantes contra a covid-19 já apresentaram taxas bem superiores. No entanto, as autoridades da Saúde e demais especialistas presentes ao evento reforçaram que o índice é suficiente para controlar a pandemia e reduzir drasticamente as internações pela doença.

Além de ficar dentro do estabelecido pela Anvisa, a eficácia apresentada pelos estudos clínicos também está na margem estabelecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que prevê o mesmo mínimo de 50%.

Outras vacinas contra a covid-19 que já estão sendo aplicadas, porém, tiveram uma taxa de eficácia maior anunciada, como a da Pfizer/BioNTech e da Moderna, responsáveis por iniciarem a vacinação nos Estados Unidos e na Europa. O imunizante da Pfizer apresentou uma taxa de 95%, e o da Moderna foi de 94,4%.

No Brasil, além da CoronaVac, o imunizante conhecido como vacina de Oxford também solicitou pedido de uso emergencial para a Anvisa na semana passada. Enquanto a CoronaVac é desenvolvida pelo Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, a vacina de Oxford é uma parceria do laboratório AstraZeneca com a Universidade de Oxford. No Brasil, o imunizante será produzido pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), uma instituição federal.

A Anvisa prometeu hoje uma decisão sobre os pedidos feitos pelo Butantan e pela Fiocruz até o próximo domingo (17).

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