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Coronavírus

Conteúdo publicado há
4 meses

Bolsonaro critica CPI da Covid e diz que pretende ser último a tomar vacina

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

28/04/2021 11h24Atualizada em 28/04/2021 12h45

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez críticas diretas hoje à CPI da Covid instalada no Senado Federal e disse, em conversa com apoiadores, que pretende receber a vacina contra a covid-19 por último, o que considera "ser um exemplo".

A declaração ocorre um dia depois de um áudio mostrar o ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, falando a colegas que tenta convencer o presidente a ser vacinado contra a doença. Ele está apto a receber a primeira dose desde o dia 3 de abril, quando o Distrito Federal iniciou a aplicação em idosos com mais de 66 anos.

Bolsonaro não se referiu ao áudio de Luiz Eduardo Ramos, mas o ministro aparecia no fundo da imagem gravada pelos apoiadores, acompanhando as declarações do presidente.

"Que nem a questão da vacina, quando o último brasileiro tomar vacina, eu tomo. Depois que o último tomar a vacina, eu tomo. Tem gente apavorada, então toma na minha frente. Sou chefe de estado e tenho que dar exemplo", disse Bolsonaro.

Na sequência, o presidente defendeu sua falta de urgência para ser imunizado dizendo que tem a postura de ser o último desde os tempos em que era capitão do Exército.

"Meu exemplo é esse, deixar, já que não tem para todo mundo ainda, que tomem na minha frente. Sempre foi assim. Sou o último a comer no quartel, dei exemplo", disse Bolsonaro.

No áudio vazado de uma reunião do Conselho de Saúde Suplementar, e publicado por veículos como o jornal Folha de S. Paulo e a rádio CBN, Luiz Eduardo Ramos diz que tomou a vacina escondido e que ainda tenta convencer Bolsonaro a se imunizar.

Ele afirma estar "envolvido pessoalmente tentando convencer o presidente", uma vez que a vida dele "corre risco" em caso de reinfecção. "Nós não podemos perder o presidente para um vírus desse", disse.

Bolsonaro foi infectado pelo novo coronavírus em julho do ano passado. Porém, a recomendação dos órgãos de saúde é que quem já contraiu a doença seja vacinado normalmente, para evitar chances de reinfecção e reforçar a imunidade.

Após reunião do comitê federal de enfrentamento à covid-19, hoje, no Palácio do Planalto, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reiterou a necessidade do uso de máscaras e do distanciamento social junto à adesão à vacinação por parte dos brasileiros.

"Não adianta ficar esperando só pelo governo federal, governo estadual e governo municipal. Todos nós temos que nos comprometer com essa iniciativa", afirmou.

Queiroga disse que o ministério percebe uma queda nos diagnósticos da covid-19, mas reforçou que "ainda estamos em momento de muita seriedade da pandemia".

CPI da Covid

Bolsonaro também fez críticas à CPI da Covid, retomando o discurso que repassou dinheiro a estados e municípios. Depois de questionar o que seria investigado pelos senadores, o presidente tocou em dos pontos críticos de sua conduta na pandemia, dizendo que tomará novamente cloroquina caso seja reinfectado.

"CPI vai investigar o quê? Eu dei dinheiro para os caras (...) Muitos roubaram o dinheiro, desviaram, mas agora vem a CPI para querer investigar conduta minha. Se foi favorável a cloroquina ou não... Se eu tiver o vírus eu vou tomar de novo, eu me safei em menos de 24 horas, assim como milhões de pessoas", disse.

Ao contrário do que diz o presidente, estudos apontam que a cloroquina não tem eficácia contra o novo coronavírus. Ele também não apresentou qualquer indícios de que irregularidades com a verba repassada pela união.

Bolsonaro ainda questionou se "prefeitos serão questionados", ignorando o fato de a comissão ter sido instaurada com foco na conduta do Governo Federal, cabendo investigação a estados e municípios em casos de conexão com a linha principal da CPI.

Sem ser específico, ele citou possíveis casos de abuso de prefeitos e questionou se a comissão vai querer fazer "Carnaval fora da época". Sem citar nomes, ele disse que a comissão tem pessoas bem-intencionadas, mas também há quem só "quer fazer onda".

Ontem, a maioria dos membros da CPI da Covid elegeu o senador independente Omar Aziz (PSD-AM) como presidente e um opositor do governo, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), como vice do colegiado.

Em seguida, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) foi indicado por Aziz como o relator da comissão, apesar dos protestos dos integrantes aliados ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

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