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Coronavírus

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Saúde suspende vacinação de gestantes e puérperas com vacina da AstraZeneca

Vacina produzida pela Fiocruz é investigada como umas das possíveis causas da morte de uma gestante no Rio de Janeiro - Lennart Preiss/AFP
Vacina produzida pela Fiocruz é investigada como umas das possíveis causas da morte de uma gestante no Rio de Janeiro Imagem: Lennart Preiss/AFP

Do UOL, em São Paulo

11/05/2021 18h50Atualizada em 12/05/2021 14h14

O Ministério da Saúde determinou hoje a suspensão da aplicação da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca/Oxford para gestantes e puérperas com comorbidades. A decisão vem um dia depois da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) fazer uma orientação neste sentido, o que já provocou hoje a interrupção da imunização desse grupo em vários estados e municípios.

Segundo a pasta chefiada pelo ministro Marcelo Queiroga, a suspensão vale apenas para o imunizante que é envasado no Brasil pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). O Ministério afirmou que a aplicação para gestantes e puérperas (mulheres que deram à luz nos últimos 45 dias) com comorbidades relacionadas à covid-19 deve seguir com as outras duas vacinas em aplicação no país: a CoronaVac e o imunizante da Pfizer/BioNTech.

Os dois imunizantes, porém, não são os que estão mais à disposição no país atualmente. A produção da CoronaVac vem sofrendo atrasos por causa da dependência da importação de insumos da China. Por isso, a aplicação da primeira dose da vacina segue suspensa em grande parte do país. Já a vacina da Pfizer começou a ser distribuída na semana passada, mas apenas para as 26 capitais e o Distrito Federal.

Até mesmo a segunda dose da AstraZeneca está suspensa para o grupo prioritário em questão.

A coordenadora do PNI (Programa Nacional de Imunização), Franciele Francinato, disse que a decisão da interrupção momentânea foi tomada pela pasta por "cautela". A declaração foi dada em entrevista coletiva realizada na sede do Ministério, em Brasília.

A suspensão foi motivada pela morte de uma grávida no Rio de Janeiro por trombose, que tinha recebido a primeira dose do imunizante produzido pela Fiocruz. O caso ainda está sendo investigado pelo Ministério da Saúde.

"Provável caso"

No detalhamento dos motivos que levaram à decisão do Ministério, Franciele deixou claro que ainda se trata de um "provável caso" de correlação entre a vacina e a morte da gestante.

O caso precisa de mais algumas informações para ser fechado, então, é um provável caso, mas ainda não foi confirmado a causalidade. Então há necessidade de complementação.
Franciele Francinato, coordenadora do PNI

A servidora da Saúde também acrescentou que a pasta foi notificada sobre o caso na última sexta-feira (7), e que ainda não teve tempo de concluir a investigação sobre a morte.

A coordenadora do PNI pediu que as gestantes aguardem o posicionamento do programa, o que deve ocorrer nos próximos dias.

"Aquelas gestantes que têm comorbidade e não tomaram nenhuma dose ainda, elas devem procurar o serviço de saúde para se vacinar ou pela vacina Pfizer ou pela CoronaVac. E as gestantes vão ser acompanhadas por um período de 30 dias por questão dos eventos adversos. As unidades de saúde estão orientadas", afirmou Franciele.

Já Queiroga salientou que a decisão é baseada em "critérios exclusivamente técnicos" e "tomada por especialistas de amplo respaldo nacional e internacional".

"Não está claro que a vacinação tenha sido a causa dessa trombose. Nós estamos analisando detalhes de todo o prontuário, todos os exames de imagem, exames de sangue para que a gente chegue a uma conclusão e esclareça absolutamente a todos o que aconteceu. Não existe essa causualidade", explicou o professor da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), Jorge Kalil.

Orientação da Anvisa

A Anvisa divulgou ontem uma recomendação solicitando a paralisação imediata da vacinação contra a covid-19 de mulheres gestantes com o imunizante da AstraZeneca.

A recomendação foi adotada após a morte de uma gestante no Rio de Janeiro, que recebeu a vacina —a orientação segue até que a Anvisa entenda se existe alguma relação entre a vacina e o óbito. O Ministério da Saúde ressaltou que "a ocorrência de eventos adversos é extremamente rara e inferior ao risco apresentado pela covid-19".

Uma fonte da Fiocruz, que produz a AstraZeneca no Brasil, alertou que a recomendação da Anvisa acontece por precaução é padrão nesses casos.

A morte que provocou a suspensão da aplicação da vacina foi causada por um AVC (Acidente Vascular Cerebral) hemorrágico. A mulher de 35 anos estava grávida de 23 semanas e foi hospitalizada na última quarta-feira (5). O bebê morreu na quinta (6), e a mãe, ontem (10).

Segundo uma nota técnica divulgada pela Anvisa, a vacina da AstraZeneca deve ser utilizada apenas seguindo as recomendações da bula. No momento, a orientação inicial é que a aplicação do imunizante seja feita apenas com orientação médica.

"O uso "off label" de vacinas, ou seja, em situações não previstas na bula, só deve ser feito mediante avaliação individual por um profissional de saúde que considere os riscos e benefícios da vacina para a paciente. A bula atual da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca não recomenda o uso da vacina sem orientação médica", diz a nota emitida pela Anvisa.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), não existem ainda informações suficientes para uma decisão final sobre o uso das doses em grávidas. Mas sugere que, "para ajudar as mulheres grávidas a fazer esta avaliação, elas devem receber informações sobre os riscos da covid-19 na gravidez, os benefícios prováveis da vacinação no contexto epidemiológico atual e as limitações atuais dos dados de segurança em mulheres grávidas".

"Estudos preliminares de toxicidade reprodutiva em ratos não demonstraram efeitos prejudiciais da vacina na gravidez", destaca.

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