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Coronavírus

Vacinado, idoso de 115 anos vence covid após perder 2 filhos para a doença

José Joaquim deixa Hospital Metropolitano, em Maceió, curado da covid-19 - Carla Cleto/Divulgação/Governo de Alagoas
José Joaquim deixa Hospital Metropolitano, em Maceió, curado da covid-19 Imagem: Carla Cleto/Divulgação/Governo de Alagoas

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

19/06/2021 04h00

O aposentado José Joaquim da Silva, de 115 anos, já estava vacinado com as duas doses de CoronaVac quando começou a sentir sintomas, no dia 2 de junho, que o fizeram suspeitar de covid-19. A informação abalou a família, que mora em Maceió, não apenas pela idade avançada dele: o ex-lenhador já havia perdido dois dos três filhos para a doença, no ano passado.

"Quando soubemos, revivemos o filme quando o meu tio e o meu pai adoeceram. Para completar, além dele, meu outro tio —que é vizinho do meu avô— também pegou a doença e se internou", explica Márcio Antônio dos Santos, 49, neto de José.

As mortes de Antônio, 74, e Manuel, 60, ocorreram com uma diferença de apenas sete dias. Mas José superou o vírus. Com diabetes, passou apenas cinco dias internado e recebeu alta na última quarta-feira (16) do Hospital Metropolitano de Alagoas, em Maceió.

Já seu outro filho, Benedito, 69, continua no Hospital da Mulher, também na capital alagoana, com quadro estável da doença —ele tomou apenas a primeira dose da vacina.

José Joaquim (ao centro) e os dois filhos mortos pela covid - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
José Joaquim (ao centro) e os dois filhos mortos pela covid
Imagem: Arquivo pessoal

Natural de Flexeiras (a 68 km de Maceió), José mora na capital alagoana há 60 anos. Desde 2010, ficou viúvo e mora só em uma pequena casa no bairro do Tabuleiro do Martins, na periferia de Maceió.

Ainda está lúcido e se lembra de acontecimentos quando tinha cinco anos de idade. "Gosta demais de contar história, tem muito assunto, desde a Segunda Guerra Mundial [1939-1945]", conta o neto.

Perdeu a missa do filho já com sintomas

Os sintomas dele surgiram em 2 de junho. Três dias depois, quando estava pronto para ir à missa de um ano da morte do filho mais velho, os sintomas começaram a piorar.

"Uma neta dele foi buscá-lo para a missa, mas ele não foi, porque estava sentindo dor de cabeça. Já ficamos desconfiados. No dia seguinte, o levamos à farmácia para fazer o teste e deu positivo para covid-19. Ficamos em casa com ele, porque ele até ali não tinha febre", explica.

Passaram-se dois dias, porém, e ele apresentou febre e foi para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro. "Estava com saturação boa, pulmão limpo e o mandaram para casa. Do que ele reclamava mesmo era do fastio", afirma.

Quando teve covid-19, José apresentou, inicialmente, dor de cabeça e perda de apetite. "Ela não comia e acabou ficando fraco. Por isso, na quinta-feira [10] ele sofreu uma queda no quarto e machucou a lateral. Esse machucado é o que mais ficou incomodando", diz.

José Joaquim no dia que se internou - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
José Joaquim no dia em que se internou
Imagem: Arquivo pessoal

Mas os sintomas foram piorando, com dores. "Na sexta [11], a gente foi lá para levar ele à UPA, mas ele disse que não ia. Já estava com dificuldade de andar e com dor na perna machucada e no corpo. Quando foi na madrugada do dia 12, a menina que toma conta dele informou que ele estava pior, e fomos lá buscar para levá-lo novamente ao médico", relata.

Ao chegar à UPA, os médicos viram que a saturação dele estava mais baixa e resolveram o transferir para o Hospital Metropolitano.

Segundo a equipe que atendeu José Joaquim, a evolução dele foi tranquila: em apenas um dia precisou receber o auxílio de oxigênio. "Ele evoluiu positivamente e surpreendeu com sua melhora", diz Marcos Ramalho, diretor do hospital.

Na saída do hospital, na quarta-feira passada, ele foi recebido ao som de música pelos netos Emanuele e Daniel da Silva. Antes de deixar a unidade, assinou seu nome na "Árvore da Vida", um espaço que homenageia todos os sobreviventes da covid-19 tratados no local.

José já está de volta a sua casa. "Ele está tranquilo. Pediu apenas para ninguém o ver por dez dias para ir conversar porque ele está cansado", diz Antônio.

Seu José, diz o neto, goza de boa saúde e é ativo. "Ele ia todos os domingos à feira do Tabuleiro. Fica a 1 km de casa dele. O domingo retrasado foi o primeiro nos últimos anos que ele não conseguiu ir por causa da covid. Mas é o 'shopping' dele, o passeio. Ele diz que ninguém sabe comprar as coisas de que ele gosta e, se Deus quiser, vai seguir com sua rotina", completa.

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