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Conteúdo publicado há
3 meses

Queiroga estimula vacinar crianças, mas Saúde mantém orientação criticada

Do UOL, em São Paulo

27/01/2022 08h34Atualizada em 27/01/2022 19h51

O ministro da Saúde Marcelo Queiroga disse ontem que as campanhas de imunização contra a covid-19 precisam atingir as crianças e os adolescentes. Apesar do incentivo à vacinação infantil, uma notícia veiculada no site do Ministério da Saúde, na última terça-feira (25), para divulgar a distribuição de doses pediátricas orienta que os responsáveis das crianças procurem médicos antes da imunização dos pequenos. A medida é criticada por especialistas.

"O Brasil hoje ele já distribuiu mais de 400 milhões de doses de vacina para a sua população e é fundamental que aumentemos a cobertura da 2ª dose. É preciso avançar com a dose de reforço e atingir também outros públicos que mesmo não sendo públicos assim não tão afetados pela pandemia, mas são importantes, como as nossas crianças e adolescentes", declarou o titular da pasta a jornalistas. A fala foi transmitida pela CNN Brasil.

Apesar do incentivo à vacinação infantil por parte de Queiroga, a notícia veiculada no site do Ministério da Saúde orienta que os responsáveis das crianças procurem médicos antes da imunização e que cabe aos estados atuar "na medida de suas competências".

"Para a imunização das crianças de 5 a 11 anos é necessária a autorização dos pais. No caso da presença dos responsáveis no ato da vacinação, haverá dispensa do termo por escrito. A orientação da Pasta é que os pais ou responsáveis por suas crianças procurem a recomendação prévia de um médico antes da imunização", diz o texto veiculado na última segunda-feira.

A orientação é criticada por especialistas desde o fim do ano passado, quando o governo havia indicado que poderia exigir a prescrição médica para vacinar as crianças. No entanto, no dia 5 de janeiro, o ministério liberou a vacinação infantil sem a necessidade de receita, mas à época também orientou — sem obrigatoriedade — que pais e responsáveis procurem a orientação de um médico antes da vacinação.

Na ocasião, em entrevista ao UOL News, Renato Kfouri, diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), criticou o desejo do governo de exigir a prescrição médica para a vacinação infantil.

O Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) também disse que não exigiria receita médica para vacinar o público infantil e comentou que a medida iria "dificultar" o acesso à imunização dos pequenos visto que não seriam todas as crianças que conseguiram ir até um hospital com os responsáveis e conseguir a prescrição.

Nota tenta explicar não obrigatoriedade de vacinação infantil

Na segunda-feira (24), a Secretária Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 divulgou uma nota técnica extensa para explicar a não obrigatoriedade da vacinação infantil contra a doença, apesar de especialistas afirmarem a importância de imunizar as crianças contra a doença. O texto traz uma explicação sobre as diferenças entre o PNO (Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a covid-19) e o PNI (Programa Nacional de Imunizações).

O documento é assinado pela secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, Rosana Melo, e pelo diretor de programa, Danilo de Souza Vasconcelos.

No texto, a secretaria explica que somente são obrigatórias às crianças os imunizantes incluídos no PNI. Atualmente, a lista contém 19 vacinas recomendadas à população, "desde o nascimento até a terceira idade e distribuídas gratuitamente nos postos de vacinação da rede pública". Por lei, os pais que não imunizarem os filhos podem sofrer sanções.

"Por sua vez, o Programa Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a covid19 (PNO) trata exclusivamente das vacinas destinadas à Covid-19 e tem atuação dentro da emergência em saúde pública de importância nacional (ESPIN) declarada pelo Ministério da Saúde através da Portaria N° 188 de 3 de fevereiro de 2020", diz a nota.

Bolsonaro é contra a imunização infantil

A fala de Queiroga sobre a imunização infantil destoa dos discursos do presidente Jair Bolsonaro (PL), que é contra a vacinação infantil e já declarou que não vai vacinar a filha Laura, de 11 anos, já apta para receber a vacina.

Além de dizer que não vai vacinar a filha, Bolsonaro sinalizou diversas vezes que ele próprio não foi imunizado contra a covid-19, uma postura que o deixa completamente isolado entre os demais líderes de países do mundo.

Ômicron e alta nos casos

Segundo Queiroga, mais brasileiros estão procurando as salas de vacinação em razão da alta de casos provocados pela ômicron. Ao ser questionado por uma jornalista sobre qual a principal política de saúde hoje para combater a ômicron, Queiroga declarou que seria a "vacinação".

O ministro também disse esperar que o Brasil consiga superar "em um espaço curto de tempo" a variante ômicron — detectada pela primeira vez na África do Sul.

"A média do pico da ômicron é de 40, 45 dias. Nossa aceleração com a ômicron começou em meados de dezembro, então, vamos esperar com atenção, mantendo as medidas que são conhecidas pela população brasileira, não farmacológicas, acelerando a campanha de vacinação para que possamos superar num espaço curto de tempo essa onda da ômicron e ter esperança de uma saída do cenário pandêmico", explicou.

Apesar da expectativa de diminuição do impacto da ômicron, Queiroga declarou que o Ministério da Saúde está "preparado para enfrentar uma maior pressão do sistema de saúde".

"Aqui no Brasil o número de óbitos tem aumentado. Isso, naturalmente, é consequência também do maior número de casos e nós temos que fortalecer o nosso sistema de saúde. Nós enfrentamos o desafio da variante gama e houve época que tivemos 4 mil óbitos por dia e nesse período nos fortalecemos o nosso sistema de saúde", concluiu o ministro.

Ontem, o Brasil teve 219.878 novos casos conhecidos de covid-19 nas últimas 24 horas. O número é o maior já registrado em um só dia desde o começo da pandemia. No total, já houve 24.553.950 diagnósticos positivos da doença e 624.507 pessoas morreram em decorrência da covid-19 no país. Os dados são do consórcio de veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte.

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