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1 mês

Vecina: Decisão de Queiroga atende necessidades eleitorais de Bolsonaro

Colaboração para o UOL, em São Paulo

18/04/2022 09h12Atualizada em 18/04/2022 09h27

Para o médico sanitarista Gonzalo Vecina, o anúncio do fim do estado de emergência sanitária nacional em decorrência da covid-19, feito pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, não foi "inteligível" e buscou apenas atender a interesses eleitorais do presidente Jair Bolsonaro (PL).

"O momento (da pandemia) não é desesperador, mas jamais seria o de decretar o fim da emergência sanitária", disse Gonzalo Vecina ao UOL News - Manhã, programa do Canal UOL, alertando para o aumento no número de casos na Ásia e para o avanço de novas variantes.

Essa foi uma medida exclusivamente eleitoreira, respondendo às necessidades eleitorais do presidente da República, que se afastou da decisão de governar o Brasil durante esses dois anos, redundando em 660 mil mortes. Gonzalo Vecina, médico sanitarista

O anúncio do fim da Espin (Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional) foi feito ontem pelo ministro, em cadeia nacional de rádio e televisão. No pronunciamento, Queiroga disse que "nos próximos dias será editado um ato" encerrando a medida.

Segundo Vecina, o decreto que teve o fim anunciado ontem por Queiroga baseia a validade de cerca de 170 atos que foram tomados pelo Executivo para lidar com a pandemia, como o que permite o registro emergencial de vacinas contra a covid-19, dispensa de licitações etc.

"A diferença entre o registro emergencial e o normal (de vacinas) é pequena, mas significa algo em torno de três a quatro meses de tramitação burocrática na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)", afirmou.

"A CoronaVac não tem o registro definitivo, e vários outros medicamentos eficazes que foram aprovados contra a covid-19, como o Paxlovid, também não tem: é só o emergencial, baseado na Espin", acrescentou.

Para o sanitarista, tudo indica que o anúncio feito deve ser questionado pelo CNS (Conselho Nacional de Saúde) — instância que monitora as políticas do Ministério da Saúde — e pela Comissão Intergestores Tripartite, que gere o SUS (Sistema Único de Saúde) e não foi consultada.

"Não é uma decisão isolada do ministro da Saúde: é uma decisão do Brasil. Os secretários estaduais e municipais de Saúde são fundamentais nesse processo decisório, além do CNS", pontuou.

Ontem, o Brasil registrou 18 novas mortes pela covid-19 e uma média móvel de 100 mortes pela doença na última semana. Os dados são do consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte.

Também de acordo com os dados do consórcio, 74% da população brasileira recebeu duas doses ou a dose única contra a covid-19, mas pouco mais de 70 milhões de pessoas tomaram a primeira dose de reforço (30% da população).

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