Colômbia: 'protocolo humanitário' em zona onde desapareceram jornalistas

Bogotá, 26 Mai 2016 (AFP) - Um "protocolo humanitário" foi ativado na convulsionada região de Catatumbo, no nordeste da Colômbia, para encontrar os três jornalistas que desapareceram nos últimos dias na zona, informaram as autoridades nesta quarta-feira.

O governador de Norte de Santander, departamento na fronteira com a Venezuela e onde há forte presença da guerrilha, William Villamizar, disse que os comandantes militares "ativaram um protocolo humanitário (...) que permite o diálogo de organizações civis, da Igreja, para obter precisamente a libertação dos jornalistas".

O repórter Diego D'Pablos e o câmera Carlos Melo, ambos da rede de televisão local RCN, foram detidos na segunda-feira por homens armados no município de El Tarra, quando cobriam o desaparecimento da jornalista espanhola Salud Hernández.

A jornalista, que vive há muito tempo no país sul-americano e que também tem nacionalidade colombiana, desapareceu no sábado quando fazia uma reportagem na região sobre uma greve de moradores para protestar pelo desaparecimento de duas crianças, que já foram localizadas.

Nesta zona é registrada a presença de guerrilhas como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o Exército Popular de Libertação (EPL) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), mas nenhum destes grupos confirmou sua responsabilidade.

"Esperamos que no dia de hoje, nas próximas horas, se consiga a libertação dos jornalistas", disse Villamizar à RCN.

A equipe da RCN detida viajava com um motorista, que segundo a Defensoria do Povo "já foi libertado e está com a força pública".

A Defensoria do Povo, que vela pelos direitos humanos na Colômbia, também disse que mantém uma "missão humanitária" na zona "à espera de contatos que permitam o regresso dos comunicadores desaparecidos".

Já o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse que Salud Hernández está com a guerrilha do ELN "por vontade própria", para realizar uma reportagem.

"Sobre Salud Hernández, a informação que tenho, que estou verificando, é que foi realizar um trabalho jornalístico e que se reuniu com o ELN por vontade própria. E que o ELN está esperando para ver como pode colocá-la em liberdade", disse Santos durante visita ao departamento de Chocó (oeste).

Santos destacou que esta versão "tem lógica porque ela (a jornalista) informou isto a várias pessoas, incluindo ao diretor do jornal El Tiempo, com quem manteve permanente contato e avisou que ficaria incomunicável".

"Sobre os dois jornalistas da RCN não temos informação, mas acreditamos que ocorreu algo parecido", disse o presidente.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, denunciou o desaparecimento dos três jornalistas, assinalando que trata-se de um "sequestro" do ELN que atenta contra o processo de paz.

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