Marcha contra Keiko Fujimori divide Peru a cinco dias de eleição

Lima, 1 Jun 2016 (AFP) - Milhares de pessoas protestaram nesta terça-feira, em Lima, contra a candidata de direita Keiko Fujimori, favorita no segundo turno da eleição presidencial do próximo domingo contra o candidato de centro direita Pedro Pablo Kuczynski.

Aos gritos de "Keiko não" e "Não ao narcoestado", os manifestantes percorreram o centro de Lima, tendo à frente Verónika Mendoza, candidata de esquerda e terceira colocada no primeiro turno, que agora apoia o economista liberal Kuczynski.

A manifestação, organizada pelo coletivo "Keiko no va" (Keiko não vai), pretende superar as 50.000 pessoas reunidas em uma marcha similar em Lima antes do primeiro turno, em 10 de abril, vencido por Keiko Fujimori.

O protesto é percebido como a última oportunidade para impedir que a filha do ex-presidente preso Alberto Fujimori, condenado desde 2009 por crimes de corrupção e contra a humanidade, seja eleita em 5 de junho como a primeira mulher presidente do Peru.

Os opositores da filha de quem governou com mão firme os destinos do Peru entre 1990 e 2000 consideram que sua vitória significaria o retorno ao poder daquele regime autocrata no Keiko atuou como primeira-dama.

A isto se soma a percepção de que o narcotráfico ganha terreno na política, devido a uma denúncia por supostos vínculos de um importante dirigente e financiador do partido fujimorista Força Popular com a lavagem de dinheiro e o tráfico de drogas.

"Esta mobilização é extremamente importante para defender a indelével e precária democracia que temos ante a possibilidade de que chegue ao poder um grupo político que está muito vinculado ao narcotráfico", disse à AFP o porta-voz do movimento "Keiko não vai", Jorge Rodríguez.

Rodríguez acrescentou que Keiko Fujimori "propõe ao país propostas de retrocesso e regressão" após o antecipado em 15 anos de democracia. O protesto recorrerá ao centro de Lima e terminará com um comício.

Kuczynski, um ex-banqueiro e ex-ministro, recebe tanto o apoio deste movimento social quanto dos ex-candidatos César Acuña e Julio Guzmán, que tiveram que abandonar a corrida eleitoral quando estavam entre os favoritos antes do primeiro turno.

A última vez que tendências políticas divergentes se aliaram em uma marcha foi para protestar contra a segunda reeleição de Alberto Fujimori, no ano 2000, em meio a denúncias de compra de votos de congressistas e das linhas editoriais de meios de comunicação.

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