Regime sírio intensifica bombardeios na véspera de reunião da ONU

Beirute, 25 Jul 2016 (AFP) - O regime sírio intensificou nesta segunda-feira os bombardeios em zonas rebeldes na província de Aleppo (norte), matando 22 civis na véspera de uma reunião da ONU com americanos e russos para tentar relançar o processo de paz.

Diante da situação humanitária dramática nos bairros rebeldes de Aleppo, sitiados pelo regime sírio, o embaixador da França na ONU pediu um cessar-fogo humanitário imediato, no dia seguinte ao bombardeio de quatro hospitais e um banco de sangue pelas forças leais ao presidente Bashar Al-Assad.

"O Conselho de Segurança não pode aceitar que estes crimes de guerra - sim, crimes de guerra - se repitam", afirmou François Delattre, ao comparar a situação em Aleppo com a de Sarajevo durante a guerra da Bósnia (1992-1995).

A ONU, por sua vez, solicitou uma trégua humanitária de 48 horas a cada semana para reabastecer os civis presos em Aleppo.

Os bairros rebeldes da segunda cidade da Síria estão totalmente sitiados desde 17 de julho pelas forças do regime, agravando a situação humanitária para seus mais de 200 mil habitantes. Nenhum aliado da ONU pôde entrar nestes setores desde 7 de julho.

O abastecimento de alimentos dos moradores dos bairros está "em risco de esgotar a partir de meados de agosto", alertou na segunda-feira o chefe das operações humanitárias da ONU, Stephen O'Brien.

Na segunda-feira, ao menos 12 civis foram mortos em bairros rebeldes de Aleppo por barris com explosivos atirados pelo regime, indicou a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Um jornalista da AFP presente no bairro al-Machad viu socorristas tentando tirar sobreviventes de escombros. Eles conseguiram resgatar com vida um rapaz, mas o resto de sua família não sobreviveu.

Dividido desde 2012 entre bairros do oeste, mantidos pelo regime, e do leste, controlados pelos rebeldes, a ex-capital econômica da Síria é uma das cidades mais afetadas pela guerra.

Na frente diplomática, o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, deve se reunir na terça-feira em Genebra com altos representantes russo e americano sobre uma cooperação militar na Síria.

De Mistura espera relançar as conversações de paz em agosto, após o fracasso de duas sessões de negociação este ano.

Na terça-feira, os chefes da diplomacia americana, John Kerry, e russa, Serguei Lavrov, devem também se encontrar no Laos, à margem de uma reunião de países do sudeste asiático (Asean).

"Intensidade louca"Moscou lançou em setembro de 2015 uma campanha aérea para apoiar as forças do presidente sírio. As fontes do Observatório identificam os autores dos bombardeios de acordo com o tipo de aeronave, localização e munições utilizadas.

Nesta segunda, o OSDH indicou que as operações aéreas "realizadas provavelmente por aviões russos" mataram ao menos 10 civis na cidade de Atareb, a oeste de Aleppo.

Imagens obtidas pela AFP mostram homens da Defesa Civil em Atareb tentando extinguir um incêndio em um edifício destruído. A poucos metros, pessoas recolhem medicamentos entre as ruínas do que parece ser uma farmácia ou clínica.

"Os bombardeios do regime foram de uma intensidade louca hoje", afirmou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahmane.

Ao menos três civis morreram em Aleppo, atingidos por foguetes disparados pelos rebeldes em bairros mantidos pelo regime.

A agência oficial síria Sana reportou a morte de uma mulher grávida e seu filho.

O conflito sírio, que começou em março de 2011, se converteu em uma complexa guerra com o envolvimento de uma multidão de atores locais, regionais e internacionais. Ele já deixou mais de 280.000 mortos e forçou milhares de pessoas a fugir de seus lares.

Uma coalizão liderada pelos Estados Unidos bombardeia posições do grupo Estado Islâmico desde 2014 e a Rússia começou no ano passado uma campanha de bombardeios em apoio às forças do regime de Assad.

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