Hillary Clinton: firme sobrevivente da política americana

Filadélfia, Estados Unidos, 28 Jul 2016 (AFP) - Hillary Clinton costuma citar sua idolatrada Eleonor Roosevelt, esposa do ex-presidente democrata Franklin Roosevelt: para fazer política quando se é mulher é preciso ter a pele tão grossa como a de um rinoceronte.

Nas igrejas, nos cafés, nos comícios, Hillary Clinton recorre a piadas sobre as provas que teve que passar em quatro décadas na política. "Tenho cicatrizes para provar", afirma.

Isso sem contar as acusações republicanas direcionadas a ela de mentiras, fraude, clientelismo e, inclusive, mortes.

A maioria dos americanos a considera desonesta, e carregada com a imagem de uma pessoa maquiavélica e manipuladora, em um cenário que tem tudo para piorar diante da disputa com Donald Trump para a Casa Branca.

Entretanto, aos 68 anos, Hillary se tornou a candidata do Partido Democrata na eleição presidencial de novembro, na primeira vez na história dos Estados Unidos em que uma mulher tem essa responsabilidade em um dos grandes partidos políticos do país.

Ao ser proclamada candidata, Hillary enviou uma mensagem a todas as meninas americanas: "é possível que eu me torne a primeira mulher presidente, mas uma de vocês será a próxima".

De Chicago a ArkansasHillary Diane Rodham nasceu em 26 de outubro de 1947 em Chicago e cresceu no bairro tranquilo de Park Ridge, no meio-oeste dos Estados Unidos, em uma família de classe média.

Assegura que adora sua mãe Dorothy. De seu pai, Hugh Rodham - um pequeno empresário de origem galesa - diz ter herdado a firmeza, a ética no trabalho e o medo permanente de perder.

Criada em uma família de religião metodista, também foi de seu pai que herdou suas convicções republicanas, mantidas até seus anos de universidade.

Boa aluna, em 1965 entrou na renomada universidade para mulheres Wellesley College, próxima de Harvard.

Nos tumultuosos anos 1960, esses quatro anos universitários abriram seus olhos para assuntos como a luta pelos direitos civis, a guerra do Vietnã e a igualdade de gêneros.

A estudante com grossas lentes de óculos, que detestava maquiagem, era muito trabalhadora e ambiciosa. Seus colegas a elegeram presidente do corpo estudantil e em nome deles, ela fez um discurso de graduação que teve um tanto de idealismo, quanto de confusão.

Em 1969 entrou para a faculdade de direito de Yale, que ela via como menos misógina que Harvard, e onde se encontraria com Bill Clinton, seu "Viking vindo de Arkansas".

Seu ativismo a favor do direito das crianças e das mulheres floresceu nestes anos.

Ao terminar os estudos, preferiu trabalhar para uma organização em defesa das crianças, enquanto Bill Clinton se instalou em Arkansas para lançar-se na política.

Após um breve período em Washington, em 1974, a comissão que investigou o escândalo de Watergate se reuniu de novo com Clinton, que havia sido eleito promotor de seu estado e depois governador, enquanto ela entrava para um escritório de advogados.

Eles se casaram em 1975 e Chelsea, sua única filha, nasceu em 1980.

Dois pelo preço de umHillary Rodham finalmente abandonou seu nome de solteira e adotou o sobrenome de seu marido. Tornou-se a primeira-dama de Arkansas e, em 1993, dos Estados Unidos, depois da eleição de Bill Clinton.

Sua imagem de "co-presidente" nas sombras, alimentada pelos republicanos, contrastava com a tradicional imagem de uma primeira-dama que se ocupava dos assuntos sociais, e sua prova de fogo foi a reforma do sistema de saúde, que terminaria em fracasso em 1994.

Após perder esta batalha, a primeira-dama se refugiou em temas menos relacionados com a política doméstica para focar-se nas causas femininas, especialmente fora dos Estados Unidos. Fora de cena, entretanto, se ocupou em dirigir a batalha judicial no escândalo imobiliário Whitewater que envolvia seu marido.

Após isso, apesar da humilhação que significou o adultério de Clinton, Hillary lutou com unhas e dentes para impedir que ele fosse destituído por perjúrio no caso Monica Lewinsky, enquanto, simultaneamente, ambos se submeteram a uma terapia de casal.

Carreira solitáriaQuando se aproximava a sua partida da Casa Branca, Hillary lançou-se na política e foi eleita em novembro de 2000 como senadora pelo estado de Nova York.

Em 2004 evitou envolver-se na disputa presidencial, mas em 2008 competiu com Barack Obama nas primárias, que a venceu relembrando seu voto de senadora a favor da guerra do Iraque.

Obama nomeou-a sua secretária de Estado, onde foi uma pessoa hiperativa, mas sem conquistas reais, assinalam observadores.

Os republicanos a acusam de incompetência após os atentados contra o consulado americano em Bengasi, Líbia, onde quatro americanos morreram, entre eles o embaixador.

Sua decisão de usar seu e-mail privado, ao invés das contas oficiais, suscitou um novo escândalo para Hillary Clinton, que seus inimigos aproveitam para sugerir que se sente acima da lei.

Essa imagem, uma mistura de dureza e frio realismo, permitiu que vencesse o idealismo de Bernie Sanders e obtivesse, por fim, a candidatura democrata.

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