Muçulmanos dizem temer futuro após vitória de Trump

Em Jacarta

"Tenho muito medo, haverá mais guerras?", questionou nesta quarta-feira (9) o ativista muçulmano Alijah Diete ante a vitória de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.

Os muçulmanos na Ásia resistem em aceitar a notícia de que o candidato republicano, que fez campanha com uma forte retórica anti-Islã, se tornou presidente da superpotência.

Trump fez sua declaração mais controversa acerca do Islã em dezembro passado, provocando a ira entre seus 1,5 milhão de fiéis, quando pediu a proibição de sua entrada nos Estados Unidos após um massacre registrado na Califórnia.

"Os americanos estão arruinando o mundo mais uma vez", disse Syed Tashfin Chowdhury, um bengalês que tem amigos nos Estados Unidos. Milhares de pessoas em seu país ficaram chocadas quando os resultados apareceram no Facebook e reagiram horrorizadas.

Um responsável governamental paquistanês, que preferiu não se identificar, disse que eram notícias "absolutamente atrozes e horrorosas", enquanto outros no país também lamentavam os resultados.

"Estou decepcionado de ver Donald Trump vencer porque Hillary Clinton é uma boa mulher, boa para o Paquistão e para os muçulmanos em todo o mundo", disse Ishaq Khan, 32, falando em um mercado de Islamabad. "Ela falava da paz mundial, enquanto Trump falava de combater os muçulmanos."

Na Indonésia, o país com a maior população muçulmana do mundo, existe um crescente nervosismo sobre como evoluirá a relação com este aliado tradicional e como uma presidência de Trump afetará as relações com o mundo muçulmano.

"Fico muito preocupado que a relação entre Estados Unidos e os países muçulmanos volte a ficar tensa", disse Diete, 47, uma ativista muçulmana.

Nikken Suardini, que trabalha para uma consultoria jurídica na capital, Jacarta, se preocupa com uma eventual proibição de entrada de muçulmanos. "Vai impedir os muçulmanos de entrar nos Estados Unidos e isso não é justo".

Também existe a preocupação de que Trump adote políticas antimuçulmanas que alimentem o extremismo islâmico em escala global num momento em que o mundo enfrenta uma ameaça extremista.

"Quando os Estados Unidos exercem um poder forte, os extremistas ganham importância", disse Zuhairi Misrawi, um especialista da organização moderada islâmica Nahdlatul Ulama.

"Os que estarão mais felizes com a vitória de Trump são os do EI", disse, ao se referir ao grupo extremista que o candidato prometeu aniquilar em seus redutos de Síria e Iraque.

Alguns observadores reagiram com mais cautela, afirmando que sua retórica populista havia sido apenas uma forma de conseguir votos e que não se traduzirá em políticas xenófobas quando ele estiver no poder.

"Esperamos que os comentários de Trump contra os muçulmanos só tenham buscado impulsionar sua campanha e que leve em conta que há muitos muçulmanos nos Estados Unidos", disse Tahir Ashrafi, um veterano funcionário governamental indonésio.

Outros manifestaram preocupação de que suas políticas sejam discriminatórias com os muçulmanos dos Estados Unidos.

"Suas políticas contra os muçulmanos serão discriminatórias", disse Munarman, porta-voz do grupo de linha-dura Islamic Defenders Front. "Para ele, os muçulmanos são estrangeiros".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos