Polícia israelense interroga Netanyahu por receber 'presentes ilegais'

  • Gali Tibbon/AFP

    O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, fala em reunião no Parlamento em Jerusalém

    O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, fala em reunião no Parlamento em Jerusalém

A polícia israelense começou a interrogar nesta segunda-feira (2) o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, por ter recebido supostamente "presentes ilegais" de empresários, no âmbito de uma investigação que abalou o país.

A rádio pública anunciou que os investigadores chegaram às 18h30 (14h30 de Brasília) na residência de Netanyahu, localizada em um bairro rico do centro de Jerusalém. O interrogatório deve durar várias horas, segundo os meios de comunicação

Mais cedo, Netanyahu defendeu-se de toda acusação de atos reprováveis. "O que eu disse, repito: não falarei nada porque não há nada", declarou durante uma reunião de seu partido, o conservador Likud, no Knesset (parlamento), segundo um vídeo online na página do Facebook de Netanyahu.

De acordo com a imprensa, empresários israelenses e estrangeiros teriam oferecido a Netanyahu presentes de um valor estimado em várias dezenas de milhares de dólares.

Se os fatos se confirmarem, o primeiro-ministro pode ser acusado de "abuso de confiança".

A imprensa também fala de um segundo caso que pode abrir caminho a acusações mais graves de corrupção, mas não divulgou mais detalhes.

Interrogados pela AFP, os porta-vozes da polícia e do gabinete do primeiro-ministro se recusaram a confirmar ou desmentir esta informação.

Os guardas de segurança da residência oficial de Netanyahu cobriram o portão da entrada com um tecido preto, possivelmente para permitir que os investigadores entrem no edifício discretamente, constatou um jornalista da AFP.

A rádio pública informou, por sua vez, que o primeiro-ministro havia aceitado ser interrogado "quantas vezes for necessário" pela polícia.

Em sua página do Facebook, Netanyahu negou todos os fatos e acusou seus opositores políticos e alguns meios de comunicação de quererem "fazê-lo cair não em eleições, como prevê a democracia", mas com uma campanha contra ele.

A legislação israelense prevê que qualquer membro do governo contra o qual pese uma acusação de corrupção deve renunciar.

'Campanha de provocação'O ministro da Cooperação Regional, Tzahi Hanegbi, próximo a Netanyahu, denunciou nesta segunda-feira na rádio militar "uma campanha de provocação e incitação planejada por meios" de comunicação, cujo objetivo foi pressionar o procurador-geral Avishai Mandelblit a autorizar a polícia a interrogar o primeiro-ministro.

Mandelblit, que foi designado com o apoio de Netanyahu, foi, no entanto, criticado por ter atrasado o caso durante meses, ao se negar a dar sua autorização a estes interrogatórios.

Durante oito meses, a polícia investigou o caso em segredo. Os interrogatórios de cerca de 50 testemunhas permitiram recentemente a realização de um "avanço decisivo" na investigação, segundo a imprensa.

Entre as pessoas interrogadas figura Ronald Lauder, presidente do Congresso Judeu Mundial e membro da família da fundadora do grupo cosmético americano Estée Lauder. Foi interrogado no dia 30 de setembro quando viajou a Israel para acompanhar o enterro do ex-presidente Shimon Peres.

Em outro caso, em novembro, o procurador ordenou a abertura de uma investigação sobre alegações que sugeriam uma conduta irregular de um parente de Netanyahu na compra de três submarinos alemães por parte do Estado hebreu.

A justiça israelense trata com firmeza os casos de corrupção. O primeiro-ministro anterior, Ehud Olmert, cumpre desde fevereiro de 2016 uma pena de 19 meses de prisão depois de ter aceitado subornos. O atual ministro do Interior, Arye Deri, chefe do Shass, um partido ultraortodoxo, foi condenado em 1999 a três anos de prisão por corrupção.

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