Governo da Colômbia nega plano para assassinar chefes das Farc

Bogotá, 25 Jul 2017 (AFP) - O governo da Colômbia negou nesta terça-feira a existência de um plano de uma organização criminosa para assassinar os dirigentes da guerrilha das Farc, em processo de reintegração à vida civil, como denunciaram os líderes rebeldes.

"Não há um plano para assassinar os dirigentes das Farc", disse a jornalistas o ministro da Defesa, Luis Carlos Villegas, na cidade de Ibagué.

O funcionário afirmou que o Estado está garantindo a segurança dos líderes da antiga guerrilha e que em seu processo de reinserção vão "dotar" dos "melhores mecanismos" para preservar sua vida.

O assessor jurídico das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o espanhol Enrique Santiago, denunciou mais cedo o plano de uma organização criminosa, que não mencionou, de oferecer um milhão de dólares por cada líder rebelde assassinado.

"Tivemos conhecimento de uma organização criminosa [...], com recursos, que ofereceu até um milhão de dólares por cada pessoa [...] do Secretariado das Farc que for assassinada", expressou Santiago à Caracol Rádio.

O Secretariado é o órgão máximo diretivo da guerrilha e é presidido por Rodrigo Londoño ("Timochenko"), líder principal das Farc.

O advogado da guerrilha advertiu que desde a assinatura do acordo de paz foram assassinados 16 membros e familiares dos insurgentes.

"É óbvio que isto vem de pessoas que têm a capacidade econômica para oferecer não um milhão de dólares, mas nove, porque os membros do Secretariado são nove, ou seja, até nove milhões de dólares", acrescentou o advogado.

Segundo Santiago, desde 1º de abril começaram não somente ameaças, mas assassinatos de ex-integrantes das Farc.

O advogado denunciou a falta de medidas de segurança por parte das autoridades para evitar as mortes.

"Não me consta que tenham sido tomadas medidas para, pelo menos, se anteciparem a estes crimes que já estão acontecendo", concluiu.

O chefe negociador das Farc, Iván Márquez, assegurou na segunda-feira que os integrantes do Secretariado receberam ameaças de morte, que foram "relatadas às autoridades".

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