Europa, diante do retorno das famílias que se uniram ao EI

Paris, 31 Out 2017 (AFP) - Centenas de famílias europeias que viajaram para a Síria ou para o Iraque para se unir aos extremistas do Estado Islâmico (EI) pedem agora para retornar aos seus países, onde as autoridades avaliam como gerenciar o retorno destes homens, mulheres e crianças.

Seja através da imprensa ou por meio de familiares, vários cidadãos europeus capturados após as recentes derrotas militares do EI pediram para retornar aos seus países de origem.

"Senhora Chanceler, quero retornar com meu filho, ajude-nos (...) Vocês não precisam ter medo, não sou uma terrorista", pedia em alemão em um vídeo veiculado no início de outubro pelo jornal alemão Zeit uma mulher com um bebê em seus braços, identificada como Nadia Ramadan, de 31 anos, de Frankfurt.

Ela foi detida recentemente, com seus três filhos, pelas milícias curdas em Raqa, reduto do EI reconquistado pela coalizão internacional. Mas Berlim, oficialmente, recusou-se a ajudá-la.

De acordo com os serviços de inteligência desse país, 950 alemães juntaram-se às fileiras do grupo extremista desde 2011. Um terço retornou e 150 perderam a vida.

"Acreditamos que é perigoso o retorno à Alemanha dos filhos de jihadistas que foram doutrinados em uma zona de guerra, e esse risco deve ser levado em consideração", declarou o chefe do serviço de inteligência alemão, Hans-Georg Massen.

- 'Prestar contas' -Na França, parentes de cerca de vinte mulheres que viajaram para o auto-proclamado califado do EI escreveram ao presidente Emmanuel Macron para pedir que fossem repatriadas com seus filhos.

Um pedido respondido com firmeza pelas autoridades. "Se essas pessoas que estavam no território iraquiano estiverem presas, elas devem ser processadas no Iraque", afirmou nesta terça-feira a ministra francesa da Defesa, Florence Parly.

"As pessoas que retornam à França sabem que vão se expor e vão ser processadas pela Justiça", acrescentou.

De acordo com o governo francês, cerca de 1.700 franceses partiram para as áreas jihadistas entre o Iraque e a Síria desde 2014. Entre eles, 278 morreram - um número que seria muito maior - e 302 voltaram para a França (244 adultos e 58 menores de idade).

Nas cartas enviadas a Macron, essas famílias pedem ao presidente "fazer todo o possível para facilitar o retorno dessas mulheres e seus filhos ao país, onde vão prestar contas perante as autoridades competentes".

No Reino Unido, para onde cerca de 425 pessoas voltaram, as autoridades esperam levá-las à Justiça "para que permaneçam por muito tempo atrás das grades", declarou Mark Rowley, diretor nacional da polícia antiterrorista.

Este funcionário admitiu, no entanto, que nem sempre é possível reunir provas suficientes dos crimes cometidos ou que comprovem que representam um risco significativo para a segurança do país.

Para as pessoas que se enquadram nesses casos "pensamos em medidas preventivas (...) como instalá-las em algum lugar ou colocá-las sob vigilância", disse ele.

Mas alguns membros do governo britânico pedem métodos mais radicais.

"Devemos considerar que essas pessoas podem representar um grande perigo", disse recentemente Rory Stewart, secretário de Estado responsável pelo desenvolvimento internacional.

"Infelizmente, a única maneira de lidar com eles será, em quase todos os casos, matá-los", disse ele.

Para o ministro da Defesa, Michael Fallon, ter se juntado às fileiras do EI os torna "alvos legítimos" que podem, a qualquer momento, entrar no alvo "de um míssil da Royal Air Force ou dos Estados Unidos".

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