Farc pede 'intervenção' da ONU diante de descumprimento de acordo de paz

Bogotá, 17 Nov 2017 (AFP) - O chefe das Farc, o partido político surgido da guerrilha comunista na Colômbia, pediu nesta sexta-feira a "intervenção" da ONU diante do "descumprimento estatal" do acordo de paz firmado há um ano com o governo.

Em carta aberta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, o líder das Farc Rodrigo Londoño (Timochenko) manifesta seu "alarme pela forma como o Estado colombiano atua em matéria de implementação dos acordos".

Na terça-feira, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Políticos, Jeffrey Feltman, advertiu durante visita à Colômbia que a comunidade internacional não aceitará de Bogotá o descumprimento do "compromisso essencial" que permite sua participação no processo político.

Feltman "pode constatar pessoalmente o descumprimento estatal do acordo" de paz, assinala Timochenko em sua carta, na qual pede "a intervenção das Nações Unidas e de seu Conselho de Segurança".

A reincorporação dos membros da extinta guerrilha, a situação de segurança nas antigas zonas de conflito e as incertezas legais para os membros da Força Alternativa Revolucionária do Comum (nome do partido derivado das Farc) são preocupações críticas para os 7 mil ex-combatentes que depuseram as armas, segundo Londoño.

O dirigente reprovou os atrasos na legislação-chave em matéria de participação política e da Jurisdição Especial para a Paz (JEP), coluna vertebral dos acordos.

A Corte Constitucional avalizou na terça-feira a forma de implementação do acordo, incluindo a participação política dos ex-guerrilheiros, desde que cumpram com suas obrigações previstas na JEP, que julgará os crimes mais graves cometidos durante mais de meio século de conflito armado.

As Farc consideram que a Corte Constitucional introduziu em sua decisão modificações ao acordo firmado entre a guerrilha e o governo do presidente Juan Manuel Santos, em novembro de 2016.

Na terça-feira, Santos advertiu que "a esta altura alguns pretendem proibir as Farc de entrar na política sem antes ser julgada pela JEP, e não foi isto que se acertou".

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