EUA: liberação de suspeito de atentado pode afetar laços com Paquistão

Washington, 25 Nov 2017 (AFP) - As relações entre Estados Unidos e Paquistão poderiam ser afetadas se Islamabad não voltar a prender e julgar Hafiz Said, apontado como mentor dos ataques em Mumbai de 2008, alertou a Casa Branca neste sábado (25).

A declaração foi feita três dias após uma corte paquistanesa mandar liberar Said, que encabeça a lista de terroristas buscados pela ONU e por quem os Estados Unidos oferecem uma recompensa de 10 milhões de dólares.

Said, líder do Lashkar-e-Taiba - grupo que os Estados Unidos considera terrorista -, estava em prisão domiciliar desde janeiro, como efeito da crescente pressão sobre Islamabad para frear os grupos militantes.

Libertá-lo "contradiz as afirmações paquistanesas de que não dará proteção a terroristas", disse a Secretaria de Comunicação do presidente americano Donald Trump em um comunicado.

"Se o Paquistão não agir para deter legalmente Said e acusá-lo por seus crimes, essa inação terá repercussões nas relações bilaterais e na reputação internacional" do país, acrescentou.

Said foi liberado pela corte paquistanesa porque Islamabad não comprovou as acusações de terrorismo contra ele.

Trump almeja "uma relação construtiva com Paquistão, mas espera uma ação decisiva contra militantes e grupos terroristas em solo paquistanês, que são uma ameaça para a região", acrescentou a Casa Branca.

"A liberação de Said é um passo na direção errada", afirmou.

Na sexta-feira, o Departamento de Estado se disse "profundamente preocupado" pela liberação de Said e pediu ao governo paquistanês "garantir que será preso e acusado por seus crimes".

O grupo de Said é acusado de vários ataques com vítimas, especialmente os ataques de Mumbai em 2008, que deixaram 166 mortos, incluindo seis cidadãos americanos e de outros países ocidentais.

Trump acusou Islamabad, em agosto, de abrigar "agentes do caos", enquanto o secretário de Estado, Rex Tillerson, disse que muitos extremistas encontram refúgio no Paquistão.

O Paquistão rechaçou várias vezes as acusações de Washington e Cabul de apoiar os militantes afegãos, incluindo talibãs.

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