Avós da Praça de Maio encontram neto 126, roubado durante ditadura

Buenos Aires, 5 dez 2017 (AFP) - As Avós da Praça de Maio, que buscam bebês roubados ao nascer durante a ditadura argentina, comunicaram nesta terça-feira (5) a descoberta de outro neto, somando 126 pessoas que recuperaram a identidade no âmbito do trabalho da organização.

"O amor é mais forte que o ódio. Encontramos uma mulher que hoje recupera toda a sua história", disse, em coletiva de imprensa, a titular da entidade, Estela de Carlotto, na sede da organização em Buenos Aires.

Ao seu lado estava Andrea, advogada de 40 anos, filha de Violeta Ortolani, sequestrada em La Plata (60 km ao sul de Buenos Aires) em 14 de dezembro de 1976, quando tinha 23 anos. Ela estava no oitavo mês de gestação. O pai de Andrea, Edgardo Garnier, foi sequestrado em 8 de fevereiro de 1977. Os dois permanecem desaparecidos.

"Estou feliz. Estou plena. Não é apenas uma ficha, foi montado todo o quebra-cabeça. A minha vida se completou", disse a advogada, emocionada.

Ela explicou ter se apresentado espontaneamente à entidade para saber se era filha de desaparecidos depois que um parente admitiu a ela que não era filha biológica do casal que a criou, já falecido.

"Tenho uma família bonita. Tenho uma avó, não consigo acreditar, com 40 anos tenho uma avó e ontem pude falar com ela. É genial, já a amo. É linda por dentro e por fora", disse a neta recuperada número 126, da qual não foi informado o sobrenome colocado pelo casal que a criou.

Sua avó paterna, Blanca Díaz de Garnier, tem 86 anos e mora em Concepción del Uruguay (300 km a nordeste de Buenos Aires). Ela recebeu a notícia na segunda-feira em um telefonema da própria Carlotto. "Fiquei sem palavras, 40 anos de espera e chegou a hora", disse à Rádio 10.

"Cada vez que aparecia um neto dizia: nunca chega a minha vez", desabafou a mulher.

Familiares viajaram de Concepción para Buenos Aires, onde mora a neta recuperada.

"Não cabemos em nós de tanta alegria", disse Blanca Díaz.

As Avós da Praça de Maio anunciaram a sua última descoberta em outubro, ao identificarem a neta 125, coincidindo com os 40 anos da organização.

O grupo ainda busca outros 300 netos e netas, filhos e filhas de presos políticos da junta militar.

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