Catalunha volta às urnas após independência frustrada

Barcelona, 21 dez 2017 (AFP) - Os catalães comparecem às urnas nesta quinta-feira (21) para decidir se devolvem, ou não, o poder aos partidos separatistas, dois meses depois da proclamação frustrada de uma república independente, situação que gerou uma grave crise na região e na Espanha.

Com um de seus principais líderes na prisão e outro na Bélgica, os independentistas buscam revalidar a maioria absoluta obtida pela primeira vez em 2015, com a qual sentiram que estavam legitimados para prosseguir com a ruptura unilateral.

O índice de participação promete ser histórico e, segundo as pesquisas, 20% do eleitorado estava indeciso após a incerteza dos últimos meses, especialmente na área econômica: mais de 3.000 empresas retiraram suas sedes sociais da Catalunha.

Grandes filas eram observadas antes mesmo da abertura dos locais de votação, às 9h (6h de Brasília). A eleição terminará às 20h (17h de Brasília).

O resultado deve ser apertado entre partidários e opositores à criação de uma república independente nesta região mediterrânea de 7,5 milhões de habitantes, responsável por 20% da riqueza espanhola.

Em 1º de outubro, as autoridades regionais organizaram, de modo clandestino e entre operações policiais, um referendo de autodeterminação rejeitado pelo Estado espanhol. No dia 27 do mesmo mês, o governo catalão proclamou uma república que nenhum país reconheceu e nunca foi implementada.

Nesse mesmo dia, o governo do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, assumiu o controle da região, dissolveu o Parlamento catalão e destituiu o Executivo separatista de Carles Puigdemont, um ato sem precedentes na história recente da Espanha.

Os independentistas centraram sua campanha em atacar Madri e a batalha judicial contra seus líderes. Alguns deles viajaram para a Bélgica, enquanto outros foram detidos por rebelião, sedição e fraude.

Ao contrário de 2015, porém, os separatistas não formaram uma coalizão.

Puigdemont lidera o partido Juntos pela Catalunha e prometeu retornar em caso de vitória, mesmo que isto signifique sua provável detenção.

Dentro do bloco independentista, ele disputa a hegemonia com o até agora sócio Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) de seu vice-presidente Oriol Junqueras, que decidiu permanecer na Espanha e está em prisão preventiva.

O ERC luta pela vitória com o partido mais hostil ao nacionalismo, Cidadãos, liderado pela jovem Inés Arrimadas, de 36 anos.

A promessa do partido antinacionalista de acabar com o "pesadelo" independentista encontrou ressonância entre os catalães contrários à separação, que se consideram esquecidos pelo governo regional em seu ímpeto separatista.

Os primeiros resultados devem ser divulgados às 21h (18h de Brasília), mas apenas uma hora depois a apuração deve permitir vislumbrar o lado vencedor.

Com sete partidos na disputa, nenhum conseguirá governar sozinho, e serão necessários pactos entre movimentos unidos por seu apoio ou rejeição à independência, mas muito distantes ideologicamente.

Mesmo no caso de maioria independentista, podem surgir tensões entre os partidos pela liderança, ou sobre o caminho a seguir no caso de retorno ao poder. A maioria do bloco defende um diálogo com Madri, mas os radicais desejam a imposição de uma república independente.

"O horizonte é muito difícil. Dificilmente será resolvido com eleições porque a crise é muito profunda e muito extensa", disse o cientista político Joan Botella, da Universidade Autônoma de Barcelona.

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