Chefes da diplomacia russa, turca e iraniana discutem guerra na Síria

Moscou, 28 Abr 2018 (AFP) -

Os chefes de diplomacia russa, turca e iraniana se reuniram neste sábado (28) em Moscou para uma cúpula para relançar a busca por uma solução ao conflito na Síria, onde os três países se tornaram senhores do jogo.

O russo Serguéi Lavrov, o turco Mevlüt Cavusoglu e o iraniano Mohamad Javad Zarif analisaram soluções para o conflito que assola a Síria há sete anos e onde seus países se tornaram atores-chave.

Após discussões durante um punhado de horas, os três chanceleres revelaram sua unidade e destacaram a importância do processo de Astana, lançado em maio de 2017.

Moscou e Teerã, que apoiam Damasco, e Ancara, aliada dos rebeldes sírios, são os patrocinadores do processo de Astana que levou ao estabelecimento de quatro "zonas de distensão" na Síria.

"Para o diálogo político, Astana fez mais que os outros processos de negociação, declarou Lavrov, assegurando que o processo "se mantém firme sobre suas pernas" graças à "cooperação única" entre os três países.

"Os que criticam o processo de Astana devem ter seus próprios objetivos, como tentar mostrar ao mundo que decidem todos os assuntos do planeta, mas esta etapa acabou".

A última cúpula entre os três países foi no início de abril, em Ancara. Os presidentes Vladimir Putin, Recep Tayyip Erdogan e Hassan Rohani prometeram na ocasião cooperar para alcançar um "cessar-fogo durável" na Síria.

Neste sábado, Lavrov criticou implicitamente o regime sírio por não ser mais "flexível", após o bloqueio de um comboio humanitário da ONU para Duma.

A intensidade das reuniões mostra "a importância que Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan dão às nossas relações", afirmou Serguei Lavrov no início de seu encontro com seu colega turco, que abriu a cúpula.

Mevlüt Cavusoglu elogiou "a confiança entre os dois países que pode permitir a resolução de questões de ordem regional".

A união demonstrada pelos três países em Ancara foi abalada após o suposto ataque químico atribuído ao regime contra o reduto rebelde de Duma e os ataques de represália conduzidos por Washington, Paris e Londres contra alvos militares sírios.

A Turquia aclamou os ataques como uma resposta "apropriada", enquanto a Rússia e o Irã se mobilizaram para defender o regime de Bashar al-Assad.

O suposto ataque químico "criou uma fissura na união entre esses três países", aponta Alexandre Choumiline. "As metas e objetivos de cada um são muito diferentes", continua ele, citando as ambições divergentes de Moscou e Teerã.

"O Irã precisa ter um pé no território sírio para ameaçar Israel", enquanto a Rússia "só quer estabilizar a situação e sair", diz o analista.

Chefe do Instituto do Diálogo das Civilizações, Alexei Malachenko também acredita que o trio é uma "aliança muito instável" com posições irreconciliáveis: "A Turquia tem uma posição muito clara: contra Bashar al-Assad, e é impossível chegar a um acordo sobre o assunto".

Em Bruxelas, na quarta-feira, a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, insistiu para que "a Rússia e o Irã pressionem Damasco a aceitar a sentar-se à mesa de negociações sob os auspícios das Nações Unidas".

Após o fracasso retumbante do Congresso Nacional Sírio realizado na cidade de Sochi, em janeiro, "a Rússia está interessada em uma retomada do processo de Genebra", acredita Alexander Choumiline, para quem este será "o tema principal da reunião ministerial".

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