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Mais de 600 migrantes pulam cerca, enfrentam polícia e adentram Ceuta, território espanhol na África

26/07/2018 10h23Atualizada em 27/07/2018 11h34

Cerca de 600 migrantes subsaarianos entraram nesta quinta-feira (26) no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, após pularem o duplo muro metálico que cerca o território, provocando confrontos.

Munidos de cal, pedras, paus e excrementos, parte dos migrantes atacou a polícia, indicaram as autoridades do território.

A entrada desta quinta-feira é a de maior número em Ceuta desde fevereiro de 2017, quando, em quatro dias, mais de 850 migrantes entraram nesse território pelo Marrocos.

Os migrantes conseguiram saltar o muro por volta das 6h30 locais (1h30, horário de Brasília), indicou à AFP um porta-voz da Guarda Civil em Ceuta.

Segundo ele, saltaram "de uma vez, com grande violência", e alguns atacaram os guardas com a cal que levavam em tubos e garrafas.

As autoridades interceptaram mais de 100 migrantes. Alguns já foram devolvidos ao Marrocos.


A Guarda Civil espanhola lamentou o uso "de meios violentos", já que, segundo um comunicado, os migrantes lançaram contra os agentes "recipientes de plástico com excrementos e cal, frascos de spray como lança-chamas, pedras e paus".

Quinze guardas civis ficaram feridos, e cinco precisaram receber atendimento médico por queimaduras no rosto e nos braços.

A porta-voz da Cruz Vermelha, Isabel Brasero, disse que tiveram de prestar atendimento médico a 30 migrantes com ferimentos e contusões em sua maioria ocasionadas no momento que pulavam a cerca. Dezesseis foram levados para o hospital, e os 586 demais foram conduzidos ao centro de tratamento de estrangeiros (CETI) da cidade.

Nas imagens publicadas na página on-line do jornal "El Faro de Ceuta", podia-se ver alguns dos migrantes, jovens, mostrando sorridentes suas mãos ensanguentadas e as calças rasgadas.

De acordo com Isabel Brasero, depois de pularem o duplo muro, os migrantes correram para o CETI.

No mês passado, pouco depois de chegar ao poder, o governo socialista anunciou que pretendia retirar a cerca de arame farpado.

A Espanha tem em Ceuta e em seu outro enclave norte-africano, Melilla, as únicas fronteiras terrestres entre África e União Europeia. A vigilância fronteiriça é feita em conjunto por Espanha e Marrocos.

Além desses dois encraves, a Espanha está recebendo uma crescente pressão migratória pelo mar.

O país já é a primeira via de entrada de migrantes irregulares pelo mar na UE, à frente da Itália. Foram mais de 19.500 chegadas desde o início do ano, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) divulgados em 22 de julho.

Mas, nos últimos meses, o governo italiano e seu ministro do Interior, Matteo Salvini, propuseram fechar a via migratória marítima, alegando que o país está sobrecarregado, mesmo com a queda em 80% do número de chegadas de migrantes.

"Está claro que a Itália fechou esta via de maneira discutível", negando-se a receber os migrantes resgatados por ONGs no Mediterrâneo central, comentou na quarta-feira o ministro espanhol das Relações Exteriores, Josep Borrel.

Ele observou que, "se o trânsito pelo Mediterrâneo central é fechado, mas o fluxo nos países de origem continua", o que precisamente está acontecendo, "o fluxo vai se desviar para o Mediterrâneo ocidental, como já ocorre".

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