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Internacional

Protestos dos 'coletes amarelos' perdem força na França; tensão na fronteira

22/12/2018 18h51

Paris, 22 dez 2018 (AFP) - Menos de 40 mil manifestantes, entre eles apenas 2 mil em Paris, e alguns bloqueios nas fronteiras caracterizaram o novo dia de protestos dos "coletes amarelos", neste sábado, na França, de luto pela morte de uma pessoa - a décima desde o início dos protestos.

O sexto sábado de manifestações reuniu 38.600 pessoas na França até às 18h locais (15h em Brasília), contra 66.000 na mesma hora no sábado passado, segundo o Ministério do Interior. Umas 220 pessoas foram detidas, das quais 81 ficaram em prisão prolongada.

Em Paris, a polícia contabilizou 2 mil manifestantes, frente a 4 mil no sábado passado, segundo uma fonte das forças de ordem. Em Versalhes, onde os "coletes amarelos" convocaram uma manifestação em frente ao castelo, como nos tempos da Revolução Francesa, de 1789, que derrubou o rei da França, mas apenas cerca de 60 pessoas participaram, segundo contagem da AFP.

O clima entre os manifestantes era de calma, contrastando com as imagens de guerrilha urbana do começo de dezembro, que deram a volta ao mundo.

Em Paris, as forças de ordem prenderam 142 pessoas, 19 delas em detenção prolongada. A primeira manifestação, em 17 de novembro, reuniu 282 mil pessoas em todo o país.

Em 24 de novembro, participaram 166 mil pessoas; em 1º e 8 de dezembro, 136 mil; e em 15 de dezembro, 66 mil, segundo números oficiais. O movimento não divulga cifras de participação.

O porta-voz do governo, Benjamin Griveaux, denunciou a "face racista e golpista" dos protestos, após os atos de violência.

- Décimo morto -O balanço dos mortos em mais de um mês de jornadas de protesto subiu para 10, após a morte de um motorista que bateu com o carro na madrugada deste sábado em um caminhão bloqueado numa blitz para filtrar veículos dos coletes amarelos perto de Perpignan, segundo uma fonte judicial.

O Parlamento francês aprovou em definitivo nesta sexta-feira à noite as medidas de urgência de 10 bilhões de euros para reduzir a pressão fiscal e aumentar o poder aquisitivo, principais reivindicações dos "coletes amarelos". Mas vários deles não parecem dispostos a encerrar a mobilização, que provocou a pior crise social desde que Emmanuel Macron chegou ao poder, há 19 meses.

O setor comercial registrou um retrocesso médio de 25% em relação a um ano atrás por causa das manifestações, informou neste sábado a secretária de Estado de Economia, Agnès Pannier-Runacher.

Na avenida Champs Elysées, epicentro dos protestos, os cafés e os restaurantes permaneceram abertos e quase todas as lojas exibiam adornos para a temporada das festas de fim de ano.

Um dos manifestantes reunidos na famosa avenida parisiense, David Delbruyère, de 38 anos, procedente de Maroilles, no norte do país, dizia que foi a quinta vez que se deslocava para a capital para se manifestar.

Este caminhoneiro diz ganhar normalmente a vida, mas declarou participar dos protestos por seus filhos e pais doentes.

Segundo ele, a única medida capaz de deter a mobilização é o referendo de Iniciativa Cidadã, uma das reivindicações dos "coletes amarelos", que o governo prometeu avaliar.

- Bloqueios nas fronteiras espanhola e belga - A polícia pediu aos estabelecimentos comerciais parisienses que "mantenham a vigilância", em um dia muito importante para as compras de Natal.

Na semana passada, 69.000 integrantes das forças de segurança estavam nas ruas, 8.000 deles em Paris, apoiados por veículos blindados da polícia.

Neste sábado, estes veículos blindados foram enviados a regiões onde houve distúrbios durante a semana passada, como Toulouse e Bordeaux (sudoeste).

Os "coletes amarelos" também convocaram bloqueios aos caminhões nas fronteiras.

Mais de 300 manifestantes bloqueavam desde a manhã uma via de acesso a uma rodovia em Boulou, perto da fronteira com a Espanha, constatou a AFP.

Eles permitiam a passagem de veículos pequenos, mas fechavam a passagem aos caminhões, símbolos das importações espanholas na França, criticadas por seus preços abaixo do que o movimento considera justo.

No meio da manhã, dezenas de militantes separatistas da Catalunha, que também vestiam coletes amarelos e exibiam bandeiras separatistas, se uniram aos manifestantes franceses.

Perturbações no tráfego também foram registradas na fronteira com a Bélgica.

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