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Trump volta para casa com um fracasso e muitas acusações na bagagem

28/02/2019 09h41

Hanói, 28 Fev 2019 (AFP) - O presidente americano Donald Trump deixou o Vietnã e voltou para casa nesta quinta-feira em uma posição pouco confortável após o fracasso das negociações com o líder norte-coreano Kim Jong Un e a saraivada de acusações feitas por seu ex-advogado em um depoimento ante uma comissão do Congresso americano.

O presidente, que ofereceu uma coletiva de imprensa em Hanói após o fim abrupto da reunião com Kim Jong Un, mostrou-se muito diferente do Trump tradicionalmente esfuziante.

Trump fez alguns de seus gracejos costumeiros e focou-se em grande parte no tema, mas longe do desempenho empolgado e animado que demonstrou após seu primeiro encontro com Kim em Singapura no ano passado.

Dessa vez, ele sequer parecia aborrecido, e, sim, apenas cansado.

Isso provavelmente deveu-se, em parte, ao fato de ter ficado acordado à noite (hora local) para ver seu ex-advogado pessoal Michael Cohen testemunhar em Washington dizer que seu ex-cliente era um trapaceiro.

Trump lamentou a agenda do Congresso. "Eles poderiam ter feito isso dois dias depois ou na próxima semana, teria sido melhor", afirmou, referindo-se à data marcada para o depoimento de Cohen, durante sua ausência do país.

Originalmente, a cúpula com Kim em Hanói seria uma chance para Trump desviar a atenção das previsíveis acusações de Cohen.

Também contrariado com seu projeto de construir um muro na fronteira do México - envolvido em muitas controvérsias -, a perspectiva de fazer história no outro lado do mundo, no Vietnã, pareceu para ele a oportunidade perfeita.

Trump deu um grande impulso ao evento, aparentemente acreditando que pela força da personalidade poderia ter sucesso numa questão em que outras pessoas fracassaram. Ele queria transformar a Coreia do Norte de uma fortaleza nuclear isolada do mundo em um tigre asiático amigo dos Estados Unidos.

Com isso, talvez ele até pudesse ser indicado ao Prêmio Nobel da Paz.

Nesta quinta-feira, porém, ficou claro que as ambições de Trump cairiam por terra. Ele e Kim não conseguiram chegar a um acordo capaz de resultar numa declaração conjunta ao final do dia.

"Às vezes você tem que seguir adiante", comentou Trump sucintamente.

- Com amigos como esses... -Na esperança de conseguir que Kim concordasse com os cortes fundamentais em seu arsenal, Trump, em vez disso, se viu diante de exigências impossíveis por parte do líder totalitário para Washington suspender as sanções econômicas.

No entanto, Trump fez questão de enfatizar que ele Kim continuam amigos.

"Há uma cordialidade entre nós e espero que continue", afirmou. "Ele é um cara e tanto", acrescentou, referindo-se a Kim.

Claramente Trump gosta de ser apreciado. Para um presidente que aposta em sua pretensão de ser um negociador nato, essa magia pessoal pode até ser um ingrediente vital.

"Acreditem ou não, eu tenho um ótimo relacionamento com quase todos os líderes", declarou Trump na coletiva de imprensa, encerrando sua participação com uma nota defensiva.

"Muitas pessoas acham isso difícil de entender."

- Perda de foco -Mas o certo é que sua amizade com Cohen nunca será resgatada, depois de dez anos de amizade e relação profissional.

Cohen, prestes a ir para a prisão por três anos depois de ter sido condenado por prestar falso testemunho, fez novamente um juramento na quarta-feira em uma audiência extraordinariamente teatral no Congresso.

Com o evento transmitido em todo o mundo por canais a cabo e de redes dos Estados Unidos, Cohen usou o grande palco para descarregar toda sua artilharia contra seu ex-chefe, descrevendo-o como um "racista, vigarista e trapaceiro".

Quando as negociações de Trump-Kim em Hanói começaram na quarta-feira, muitos perguntaram como o presidente reagiria a isso.

Ignoraria a comoção em seu país para manter o foco nas negociações programadas para a manhã de quinta-feira? Ou voltaria para o hotel e se concentraria nas notícias domésticas?

Na verdade, não havia muitas dúvidas.

"Eu tentei assistir o máximo que pude", admitiu Trump, antes de fazer uma crítica detalhada na qual afirmou Cohen havia mentido muito sobre ele.

Infeliz no jogo no Vietnã, um pouco menos infeliz ao ter que voltar para casa.

"Estou prestes pegar um avião e voltar para um lugar maravilhoso chamado Washington DC", declarou Trump ao fim da coletiva.

Ele parecia mais casando que nunca.

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