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EUA responsabilizam Irã por ataques a cargueiros no Golfo de Omã

Carlos Barria/Reuters
Donald Trump Imagem: Carlos Barria/Reuters

2019-06-14T14:51:00

14/06/2019 14h51

O presidente americano, Donald Trump, reiterou suas acusações ao Irã nesta sexta-feira (14), voltando a responsabilizar aquele país pelos ataques a dois petroleiros no Golfo de Omã.

Segundo ele, o incidente tem a "assinatura" de Teerã.

"O Irã fez isso", disse Trump em entrevista ao canal Fox News.

"Vemos o barco, com uma mina que não explodiu e tem a assinatura do Irã", reforçou Trump, acrescentando que os Guardiães da Revolução "não queriam deixar nenhuma prova para trás".

Próxima do Irã, a Rússia condenou "severamente" os ataques e pediu aos Estados Unidos que não "tirem conclusões precipitadas", enquanto a China fez um apelo para o "diálogo".

Os aliados de Washington na região também condenaram os ataques. A Arábia Saudita mostrou sua "grande preocupação", enquanto os Emirados Árabes Unidos denunciaram uma "escalada perigosa".

O secretário-geral da ONU, António Guterres, insistiu hoje na necessidade de uma investigação de uma "entidade independente" para estabelecer responsabilidades.

"É muito importante saber a verdade. É muito importante que as responsabilidades sejam esclarecidas", frisou Guterres.

A declaração do presidente Trump se dá, após o Exército americano divulgar imagens de uma patrulha marítima iraniana. Nelas, estaria-se retirando de um dos petroleiros o que os EUA alegam ser uma "bomba não detonada".

Passagem estratégica

Lançados na quinta-feira perto do Estreito de Ormuz, os ataques não tiveram sua autoria reivindicada por grupo algum. O Irã nega qualquer responsabilidade nos eventos.

Trump também descartou um eventual fechamento do estreito, uma das principais vias para transporte de petróleo do mundo.

Cerca de 60 milhões de barris de petróleo viajam diariamente pelos mares ao redor do mundo, de acordo com a agência americana de informação sobre energia, a EIA (na sigla em inglês).

Um terço desse volume atravessa o Estreito de Ormuz, passagem fundamental para o tráfego global de petróleo que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e onde ocorreram os ataques de ontem.

A maior parte das exportações de petróleo de Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque passa por essa rota. É também a principal rota para o gás natural exportado pelo Catar.

Outros corredores estratégicos incluem o Estreito de Malaca, entre Singapura e Indonésia; o Canal de Suez, no Egito; e o Estreito de Bab el Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden.

Na mesma entrevista à Fox News, o presidente Trump garantiu que os iranianos "não vão fechar (o estreito). Não fecharão. Não vão fechar em muito tempo e sabem disso. Isso já foi dito a eles nos termos mais duros".

Ontem, em um pronunciamento, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, afirmou que o "governo dos Estados Unidos acredita que a República Islâmica do Irã foi responsável pelos ataques" no golfo de Omã.

Ainda não se sabe a origem do ataque aos dois navios - um, de bandeira norueguesa, e o outro, japonesa.

Os ataques aconteceram um mês depois que outros quatro navios, três deles petroleiros, passaram por incidentes parecidos na mesma região. Assim como agora, Washington também apontou o Irã como autor daquela ofensiva.

No total, cerca de 94 mil cargueiros estão navegando pelo mundo, de acordo com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento.

Se navios de transporte de matérias-primas, tais como carvão e grãos representam, por tonelada, a maior parte da mercadoria marítima mundial, com 42,5%, os que transportam petróleo bruto, ou refinado, respondem por 30% do total. Outros 5,6% são de navios com gás natural liquefeito e produtos químicos.

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