Mais informação com menos tempo de leitura
Topo

Os possíveis cenários após a UE rejeitar o pedido de Johnson por novo acordo do Brexit

O novo premiê britânico, Boris Johnson, acena para jornalistas antes de entrar na residência oficial em Downing Street, em Londres - Hannah McKay/Reuters
O novo premiê britânico, Boris Johnson, acena para jornalistas antes de entrar na residência oficial em Downing Street, em Londres Imagem: Hannah McKay/Reuters

26/07/2019 08h26

Após a rejeição do negociador da União Europeia (UE) ao pedido do primeiro-ministro britânico Boris Johnson de elaborar um novo acordo de Brexit sem o polêmico "backstop", veja quais são os cenários possíveis.

UE cede a Boris Johnson

Os líderes da UE finalmente aceitam um novo acordo de retirada sem o chamado "backstop" destinado a impedir o retorno dos controles na fronteira entre a província britânica da Irlanda do Norte e sua vizinha a República da Irlanda após o Brexit.

Esse cenário, que evitaria as terríveis consequências econômicas de um divórcio brutal, parece improvável.

Os líderes da UE repetiram que não pretendem reabrir o acordo de Brexit alcançado após difíceis negociações. O negociador da UE, Michel Barnier, declarou ontem ser "inaceitável" a proposta de Boris Johnson de eliminar a chamada "rede de segurança".

Ao conceder demasiadas concessões ao Reino Unido, os líderes da UE também arriscariam estabelecer um precedente que poderia seduzir outros eurocéticos no continente, o que eles procuram evitar.

Brexit sem acordo

Os dois lados não conseguem se entender e o Reino Unido deixa a UE sem um acordo de retirada, um cenário para o qual Boris Johnson diz estar pronto: ele afirma que quer deixar a UE a qualquer custo em 31 de outubro.

"O Reino Unido está melhor preparado para essa situação do que muitos pensam", garantiu Johnson, que deseja, porém, acelerar o ritmo dos preparativos. Ele pediu a Michael Gove, seu braço direito no governo, que faça da preparação do "no deal" sua "prioridade máxima".

Uma "falta de acordo nunca será a escolha da UE, mas todos nós devemos estar prontos para todos os cenários", disse Michel Barnier.

O Parlamento britânico, no entanto, é mais hostil a uma saída sem acordo. Para impor este "no deal", Boris Johnson pode optar por suspender o Parlamento, impedindo os deputados de se pronunciar. Tal iniciativa poderia, no entanto, criar uma crise política.

Neste cenário, surge a questão do pagamento de 39 bilhões de libras (45,5 bilhões de euros) que Londres deve à UE para liquidar seus compromissos com seus parceiros no momento de sua saída.

Em caso de "no deal", essa quantia estaria "disponível" para "ajudar a gerenciar possíveis consequências" relacionadas a essa súbita saída, disse Johnson. Assim, ficaria exposto a represálias.

No início de junho, o presidente francês Emmanuel Macron alertou que "não honrar suas obrigações de pagamento seria uma violação equivalente a um calote em sua dívida soberana, com as consequências já sabidas".

Segundo referendo ou eleições antecipadas

Jeremy Corbyn, chefe do Partido Trabalhista, o principal partido da oposição, quer que os britânicos possam se pronunciar no âmbito de uma "votação pública" sobre o Brexit ou em eleições parlamentares antecipadas.

Tal votação poderia ser organizada após a votação de uma moção de desconfiança contra o governo apresentada pelo Labor, que diz esperar pelo melhor momento para fazê-lo. O recesso parlamentar começou na quinta à noite, e a oposição só poderá iniciar tal movimento no início de setembro.

Eleições também poderiam ser convocadas por Boris Johnson na esperança de fortalecer sua maioria, que atualmente tem apenas dois votos, graças ao apoio de seu aliado, o pequeno partido unionista norte-irlandês DUP. Alguns comentaristas políticos notaram que seu governo parece uma equipe de campanha.

John Curtice, professor de política na Universidade de Strathclyde, estima, no entanto, que seria um "erro terrível para os Tories" convocar tais eleições, em uma análise publicada no site do "The Telegraph", ressaltando que os conservadores têm apenas 25% das intenções de voto de acordo com pesquisas recentes.

Mais Internacional