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Número de mortos nos protestos no Irã supera os 140, calcula Anistia

Para ONG, alta no balanço é um indicativo da brutalidade com que as autoridades iranianas trataram os manifestantes - Atta Kenare/AFP
Para ONG, alta no balanço é um indicativo da brutalidade com que as autoridades iranianas trataram os manifestantes Imagem: Atta Kenare/AFP

25/11/2019 16h54

Londres, 25 Nov 2019 (AFP) - Pelo menos 143 pessoas foram mortas pelas forças de segurança durante o movimento de protesto que abalou o Irã em novembro, disse a Anistia Internacional nesta segunda-feira (25), aumentando o saldo anterior de 106 manifestantes mortos.

"A comunidade internacional deve denunciar o uso intencional da força letal pelas forças de segurança iranianas que levaram à morte de pelo menos 143 manifestantes nos conflitos que eclodiram em 15 de novembro", disse a ONG de defesa dos direitos humanos em um comunicado.

"Quase todas as mortes foram provocadas pelo uso de armas de fogo", indica o comunicado, que avisa que um homem teria "morrido depois de inalar gases lacrimogêneos" e outro "depois de ser espancado".

A Anistia Internacional acredita que "o balanço é muito mais alto e continua investigando".

Teerã afirmou que a calma voltou ao país depois de vários dias de manifestações e de violência, que começaram em 15 de novembro após o anúncio do aumento do preço da gasolina, em plena crise econômica causada pelo restabelecimento e endurecimento das sanções americanas contra o Irã.

A ONU afirmou temer que a repressão tenha deixado "dezenas" de mortos.

Para a Anistia Internacional, "a alta no balanço de mortos é um indicativo alarmante da brutalidade com que as autoridades iranianas trataram os manifestantes não armados, e demonstra um ataque espantoso contra a vida humana".

A ONG, com sede em Londres, afirmou ter recolhido "testemunhos espantosos de familiares de vítimas" e ter analisado vídeos "que provam claramente que as forças de segurança iranianas utilizaram de forma intencional armas de fogo contra manifestantes não armados que não representavam nenhuma ameaça mortal".

A Anistia também se referiu a imagens em que aparecem "manifestantes que foram abatidos quando saíam correndo" e disse que foi informada de que "em alguns casos, as autoridades rejeitaram entregar os corpos das vítimas a suas famílias".

Segundo a ONG, a província com mais vítimas foi a de Juzestan (sudoeste), com 40 mortos; à frente da de Kermanshah (oeste), com 34 mortos, e de Teerã, onde foram registrados 20 mortos.

As autoridades iranianas informaram até o momento apenas cinco mortos - um civil e quatro membros das forças de segurança.

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