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Fim de semana de confrontos deixa 36 mortos em presídios de Honduras

Policiais de Honduras em frente ao presídio de El Porvenir, onde confrontos deixaram mortos - STR/AFP
Policiais de Honduras em frente ao presídio de El Porvenir, onde confrontos deixaram mortos Imagem: STR/AFP

23/12/2019 09h02

Ao menos 36 detentos morreram no fim de semana em confrontos em presídios de Honduras, no momento em que o exército e a polícia tentam recuperar o controle nas penitenciárias do país.

Ontem à tarde, 18 integrantes de gangues morreram em um confronto entre detentos no presídio de El Porvenir, 60 km ao norte de Tegucigalpa.

A briga, que também deixou 10 feridos, incluiu armas de fogo e objetos cortantes, informou o porta-voz da Força de Segurança Interinstitucional Nacional (Fusina), o subtenente José Coello.

Na sexta-feira à noite, 18 presos morreram e 16 ficaram feridos em um tiroteio na penitenciária do porto de Tela, 200 km ao noroeste da capital.

Os massacres aconteceram pouco depois de o presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, declarar emergência em 27 instituições penais, que abrigam mais de 21.000 detentos, com o objetivo de passar o controle dos presídios para a Fusina, liderada por militares e policiais.

A Fusina anunciou a mobilização de quase 1.200 militares e policiais em 18 das 27 penitenciárias consideradas de "alto risco".

A emergência foi declarada após o assassinato de cinco membros da gangue Mara Salvatrucha (MS-13) em 14 de dezembro no presídio de segurança máxima de La Tolva, a 40 quilômetros da capital.

Um dia antes, o diretor do presídio de segurança máxima de El Pozo I, em Santa Bárbara (oeste), Pedro Ildefonso Armas, foi morto a tiros.

O funcionário estava suspenso do cargo para ser investigado por ter testemunhado quando detentos mataram em 26 de outubro Magdaleno Meza, que foi sócio do ex-deputado Juan Antonio "Tony" Hernández.

Tony Hernández, irmão do presidente Juan Orlando Hernández, foi condenado por quatro crimes de tráfico de drogas em um tribunal de Nova York.

A justiça americana condenou Hernandez com base em anotações encontradas com Meza, com registros do tráfico de cocaína.

O advogado de Meza, Carlos Chajtur, acusou publicamente o governo de ter ordenado a morte de seu cliente em represália por ter colaborado com a justiça americana no julgamento contra Hernández.

Os comandantes militares e da polícia afirmaram à imprensa que a onda de violência dentro dos presídios "é uma escalada dos criminosos para tentar impedir a Fusina estabeleça os controles necessários nos centros penais do país".

O grupo foi criado pelo presidente imediatamente após sua posse, em 2014, para enfrentar a criminalidade dos traficantes de drogas e membros de gangues.

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