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Pandemia de coronavírus traz dificuldades para o narcotráfico, diz ONU

Logo da ONU em sede de Nova York - Lucas Jackson
Logo da ONU em sede de Nova York Imagem: Lucas Jackson

06/05/2020 20h29

A paralisação do transporte internacional não afeta apenas a economia legal. Os traficantes de drogas também enfrentam escassez de matérias-primas e precisam adaptar suas rotas de distribuição, afetadas pela pandemia do novo coronavírus, revela um relatório da ONU que será publicado na quinta-feira (7).

O fechamento maciço de fronteiras provocou escassez para os pequenos traficantes e pode ter "efeitos sanitários negativos" para os dependentes químicos, segundo o Escritório das Nações Unidas contra as Drogas e o Crime (UNODC).

"O narcotráfico por via aérea pode ser completamente perturbado pelas restrições impostas ao tráfego aéreo", avalia o UNODC, que detectou "sinais de aumento das rotas marítimas", em particular no caso da cocaína procedente da América Latina em direção à Europa.

Tanto na Europa quanto no sudeste asiático ou na América do Norte, as autoridades detectaram uma queda da oferta de heroína, o que pode, por sua vez, levar a um aumento de contágios de doenças devido à tendência dos dependentes em compartilhar seringas hipodérmicas.

Além disso, os preços dos produtos substitutivos aumentaram, razão pela qual os dependentes químicos podem ser obrigados a comprar "substâncias nocivas produzidas localmente".

As dificuldades econômicas podem resultar em uma mudança "para pior" dos hábitos de consumo e, ao mesmo tempo, a crise sanitária levará previsivelmente a um corte nos orçamentos de combate ao consumo de entorpecentes.

O UNODC, com sede em Viena, constatou que a produção de cocaína parece ter diminuído na Colômbia por falta de combustível, enquanto na Bolívia são as autoridades que estão sofrendo com a instabilidade dominante para controlar o cultivo da folha de coca.

O Afeganistão, onde se cultivam 90% das papoulas para produção de heroína, fechou suas fronteiras com o Irã e o Paquistão, e limitou a circulação no interior do país, o que pode ter consequências para a colheita, que ocorre entre março e junho.

As medidas de confinamento têm levado, paralelamente, a um aumento na demanda por cannabis, o que pode provocar uma "intensificação das atividades de tráfico entre o norte da África e a Europa".

O UNODC também destaca que em alguns países, os narcotraficantes responderam à crise econômica e social fornecendo bens e serviços, "em particular às pessoas vulneráveis", o que contribui para "mudar sua imagem" na sociedade.

A longo prazo, as consequências econômicas da pandemia "podem levar à transformação duradoura e profunda dos mercados de drogas", concluiu a agência da ONU.

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