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Eleições Americanas

Em 1ª aparição com Kamala, Biden diz que campanha busca 'reconstruir' EUA

Joe Biden e Kamala Harris fazem primeira aparição juntos após nomeação de Kamala como vice de Biden - Olivier DOULIERY / AFP
Joe Biden e Kamala Harris fazem primeira aparição juntos após nomeação de Kamala como vice de Biden Imagem: Olivier DOULIERY / AFP

12/08/2020 18h03Atualizada em 12/08/2020 18h50

O candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, ressaltou em seu primeiro discurso ao lado da recém-escolhida companheiro de chapa Kamala Harris que sua campanha busca "reconstruir" os Estados Unidos.

O ex-vice-presidente afirmou que o país passa por um momento delicado, acusou o presidente Donald Trump de fracassar na gestão da crise da covid-19 e declarou não ter dúvidas de que escolheu "a melhor pessoa para me acompanhar".

Ontem, Biden pôs fim às expectativas ao anunciar que Harris, senadora negra que representa a Califórnia, será seu segundo no comando na disputa contra o presidente Donald Trump, decisão qualificada como histórica.

Antes de Harris, duas mulheres concorreram à vice-presidência, Geraldine Ferraro em 1984 e Sarah Palin em 2008, mas nunca antes houve uma candidata dos partidos majoritários negra ou sul-asiática como Harris.

"Kamala Harris é filha de dois imigrantes orgulhosos, sua mãe da Índia e seu pai da Jamaica, que a educaram para agir", disse Biden, hoje, no Twitter.

Aos 55 anos, Harris está em uma posição privilegiada para a campanha de 2024, já que Biden, de 77 anos, deu a entender que, se vencer, pode não concorrer a um segundo mandato.

A aparição de hoje é a primeira de ambos os políticos, que até para o anúncio aderiram ao formato virtual que tem marcado essa campanha que se dá em meio a uma pandemia no país com mais casos confirmados no mundo.

Na manhã de hoje, Biden postou um vídeo em que faz uma videochamada com Harris e pergunta se ela está pronta, e ela responde: "Estou pronta para trabalhar".

"Testemunhas da história"

A aparição de hoje antecede a Convenção Democrata que começa na próxima segunda-feira, onde Biden e Harris serão formalmente ungidos como candidatos.

No entanto, este evento não terá a pompa de outros anos, pois será em grande parte virtual devido à pandemia, que reduziu a campanha a uma série de aparições pontuais, sem os tradicionais comícios e quase sem deslocamentos.

Uma semana depois, o presidente Donald Trump receberá a confirmação de seu partido e com isso a campanha entra na reta final com três debates marcados até 3 de novembro.

A escolha de Harris tem o objetivo de incentivar o voto de comunidades negras que podem ser cruciais em vários estados-chave para chegar à Casa Branca e que foram fundamentais na campanha de Biden durante as primárias.

Sua origem também pode atrair muitos eleitores, incluindo a comunidade latina. "Estamos confiantes de que Harris, como filha de imigrantes e com grande experiência no serviço público, é a líder certa para lutar por justiça social e econômica", destacou a organização latina CASA. Para a Liga dos Cidadãos Latinos dos Estados Unidos (LULAC), os EUA estão "testemunhando a história".

Com os protestos em massa contra o racismo após a morte de George Floyd, um negro americano assassinado por um policial branco em maio, aumentaram as expectativas de que Biden nomearia uma mulher afro-americana para acompanhá-lo.

No entanto, na questão da brutalidade policial, Harris foi criticada por não ter intervindo em muitos casos envolvendo policiais durante sua atuação como procuradora-geral da Califórnia.

Com a opção por Harris, caracterizada por sua eloquência e estilo discursivo polido quando era procuradora e nas audiências como senadora, Biden obedeceu o principal critério na escolha de vice-presidente, que é "não gerar dano".

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