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UE aguarda resposta a pedido de adiamento das legislativas na Venezuela

Manifestantes montam barricada durante protesto contra a violência policial em Cúcuta, na fronteira entre Colômbia e Venezuela - Schneyder Mendoza/AFP)
Manifestantes montam barricada durante protesto contra a violência policial em Cúcuta, na fronteira entre Colômbia e Venezuela Imagem: Schneyder Mendoza/AFP)

30/09/2020 19h57

A União Europeia (UE) reiterou o seu pedido às autoridades venezuelanas de adiar por seis meses as eleições legislativas marcadas para 6 de dezembro e aguarda a sua resposta, anunciou o serviço diplomático europeu em comunicado nesta quarta-feira(30).

Uma missão enviada a Caracas pelo chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, se reuniu durante cinco dias com todas as partes venezuelanas para passar a mensagem.

Os emissários europeus encontraram representantes do regime, líderes de todos os partidos da oposição, incluindo Juan Guaidó e o ex-candidato à presidência Henrique Capriles, autoridades da Igreja e os principais representantes empresariais.

No entanto, ao regressarem, expressaram pessimismo quanto à resposta do regime de Nicolás Maduro, confidenciou um funcionário europeu.

"Esperamos uma resposta em duas semanas. Depois vamos considerar que a resposta é negativa."

"Sem um adiamento e melhoria das condições democráticas e eleitorais, a UE não pode cogitar o envio de uma missão de observação eleitoral", reiteraram os serviços de Josep Borrell.

"A crise política e humanitária na Venezuela não se resolverá em um único evento. É hora de decisões ousadas dos venezuelanos para apoiar uma transição pacífica e democrática", insistia o comunicado.

"É necessário realizar negociações entre todas as partes envolvidas na Venezuela para encontrar uma solução democrática, pacífica e sustentável de acordo com as necessidades e demandas do povo venezuelano".

A UE não reconhece qualquer legitimidade para o presidente Nicolás Maduro e apoia a Assembleia Nacional, o único órgão democraticamente eleito na Venezuela, além de Juan Guaidó, seu presidente.

As legislativas de 6 de dezembro devem renovar o Parlamento, atualmente dominado pela oposição. O objetivo é destituir Juan Guaidó da presidência da Assembleia, destacou o responsável europeu.

No entanto, a oposição está dividida. Guaidó lidera cerca de trinta partidos que pedem o boicote às eleições. Henrique Capriles, uma figura da oposição, pede que a população participe em massa das legislativas. Outra parte da oposição, próxima ao regime, também pediu participação, no intuito de conquistar várias cadeiras de deputado.

"A União Europeia não espera negociar ou mediar na Venezuela", insiste o representante europeu. "Simplesmente esclarece as condições de sua participação em uma missão de observação das legislativas", acrescentou.

Mas se o seu pedido de adiamento e de aplicação de medidas que viabilizem eleições livres e justas não for aceito, "a UE não reconhecerá nem a Assembleia Nacional nem o Supremo Tribunal", reiterou o político europeu.

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