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Combates se intensificam em Nagorno Karabach em meio a apelos de cessar-fogo

7.abr.2016 - Mesmo com um acordo de cessar-fogo na região da autoproclamada república de Nagorno Karabakh após quatro dias de intensos combates, os soldados armênios continuam de prontidão. Há mais de 25 anos armênios e azerbaijanos vivem em atrito. As Forças Armadas do Azerbaijão disseram ter perdido 31 soldados no mais recente conflito - Reuters/Staff
7.abr.2016 - Mesmo com um acordo de cessar-fogo na região da autoproclamada república de Nagorno Karabakh após quatro dias de intensos combates, os soldados armênios continuam de prontidão. Há mais de 25 anos armênios e azerbaijanos vivem em atrito. As Forças Armadas do Azerbaijão disseram ter perdido 31 soldados no mais recente conflito Imagem: Reuters/Staff

01/10/2020 17h31

Os enfrentamentos entre armênios e azerbaijanos se intensificaram em Nagorno Karabach, apesar de França, Rússia e Estados Unidos pedirem conjuntamente nesta quinta-feira (1º) um cessar-fogo neste enclave separatista no território do Azerbaijão.

No quinto dia de confrontos, nenhum lado parecia ter obtido um avanço significativo diante do outro, mas "os combates se intensificaram pela manhã", afirmou o porta-voz do ministério armênio da Defesa, Artstrun Hovhannisian, que atribuiu grandes "perdas" ao inimigo.

As forças azerbaijanas, que asseguram há vários dias terem tomado posições armênias que fogem de seu controle há quase três décadas, emitiram reivindicações similares e afirmaram que os combatentes separatistas tiveram que "se retirar de posições que tinham em toda a linha de frente".

Os pedidos de uma trégua não param de se multiplicar. Nesta quinta, os presidentes Emmanuel Macron (França), Donald Trump (Estados Unidos) e Vladimir Putin (Rússia) pediram um cessar-fogo "imediato".

Em uma declaração, também exortaram os líderes de Armênia e Azerbaijão a "que se comprometam sem demora a retomar as negociações".

Estes três países são os mandatários do Grupo de Minsk, criado pela Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), que é o mediador do conflito desde 1992.

Mas o presidente azerbaijano, Ilham Aliev, e o primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, desconsideraram qualquer ideia de negociação e se disseram decididos a continuar combatendo.

Na quinta, Pashinyan afirmou pelo Facebook que Nagorno Karabach combatia "o terrorismo internacional".

"A comunidade internacional afirmou claramente que a cooperação turco-azerbaijana dirige uma guerra contra a Armênia e Karabach com a ajuda de mercenários terroristas", acrescentou.

"Disparos devastadores"

Nagorno Karabach, de maioria armênia, se proclamou independente do Azerbaijão em 1991, provocando uma guerra que deixou 30.000 mortos. Desde então, a situação está estagnada, embora frequentemente haja escaramuças, como a registrada em 2016.

Desde o início das hostilidades no domingo, 350 soldados azerbaijanos morreram, 15 blindados foram destruídos e três helicópteros foram abatidos, um dos quais teria caído no vizinho Irã, segundo o porta-voz do ministério armênio da Defesa.

Em Baku, o ministro da Defesa desmentiu esta última informação. Pouco antes, havia destacado que "houve disparos de artilharia devastadores toda a noite contra as forças armênias".

O exército de Karabach afirmou ter impedido que o Azerbaijão "reagrupe suas tropas" e acrescentou que "a situação tática não mudou".

Até hoje só foram divulgados balanços parciais que dão conta de um total de 135 mortos.

Os dois lados afirmam, no entanto, ter causado centenas de vítimas ao outro. E cada um publica vídeos para corroborar sua versão, como imagens divulgadas na quarta-feira de um drone azerbaijano atacando um caminhão de transporte de tropas ou uma gravação armênia mostrando vários corpos no chão com o uniforme do exército do Azerbaijão.

A pequena cidade de Martuni, a 25 km do front no território separatista, foi objeto de uma chuva de foguetes na quinta-feira.

Quatro civis morreram, segundo os separatistas, e 11 ficaram feridos, entre eles quatro jornalistas.

A Rússia, potência regional que mantém relações cordiais com as antigas repúblicas soviéticas, se preocupa cada vez mais com o papel da Turquia, que apoia o Azerbaijão, no conflito.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse na quinta-feira que um cessar-fogo no enclave só era possível se as forças armênias se retirassem totalmente.

"Um cessar-fogo duradouro nesta região depende da retirada armênia de todo o território azerbaijano", declarou o presidente em um discurso.

"Longa guerra"

Moscou condena Ancara por "jogar mais lenha na fogueira", depois de incitar Baku em sua ofensiva.

Na quarta-feira, sem apontar diretamente para a Turquia, a diplomacia russa afirmou estar "muito preocupada" com a mobilização em Karabach de "terroristas e mercenários estrangeiros" procedentes da Síria e da Líbia, dois países nos quais Ancara participa militarmente com aliados locais.

A Armênia já tinha acusado a Turquia de enviar "mercenários", mas tanto Ancara quanto Baku desmentiram.

O chanceler russo, Serguei Lavrov, conversou com seu colega turco, Mevlut Cavusoglu, para "coordenar as ações russas e turcas para estabilizar a situação", indicou Moscou.

Com relação à presença de combatentes jihadistas da Síria na região, Macron disse que era um fato "muito grave" que "muda a situação".

Para o dirigente de Nagorno Karabach, Arayik Harutyunian, os enfrentamentos atuais diferem dos anteriores pela participação turca no conflito.

Por enquanto, a ingerência militar de Ancara não está estabelecida. Só a Armênia a assegura e afirma que a Turquia enviou aviões F-16 e pilotos de drones e especialistas militares.

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