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Maduro diz não aceitar chantagem após EUA pedirem negociação 'sincera'

6.dez.2020 - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, concede entrevista coletiva à imprensa ao lado da esposa, Cilia Flores, para falar sobre as eleições parlamentares no país - Yuri Cortez/AFP
6.dez.2020 - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, concede entrevista coletiva à imprensa ao lado da esposa, Cilia Flores, para falar sobre as eleições parlamentares no país Imagem: Yuri Cortez/AFP

12/08/2021 22h46

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta quinta-feira (12) que seu governo não cederá "a chantagens nem ameaças" dos Estados Unidos, que exigem "conversas sinceras" no processo de diálogo político com a oposição.

"A Venezuela irá ao diálogo no México de maneira autônoma e independente e não se submete a chantagens nem ameaças do governo dos Estados Unidos. Não nos submetemos a chantagens de qualquer tipo!", declarou o mandatário à televisão estatal na véspera da primeira reunião deste novo processo mediado pela Noruega.

Washington, que reconhece o líder da oposição Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, se mostrou disposta a aliviar as sanções impostas ao governo de Maduro se as negociações para eleições livres no país avançarem.

"Temos sido claros que o regime de Maduro pode criar um caminho para o alívio das sanções ao permitir que os venezuelanos participem de eleições presidenciais, parlamentares e locais livres e justas que deveriam ter sido realizadas há muito tempo", declarou o porta-voz do Departamento de Estado americano, Ned Price.

Isso "exige que o regime de Maduro se envolva em discussões francas com a oposição - lideradas, é claro, pelo presidente interino Juan Guaidó - que resultem em uma solução negociada abrangente para a crise venezuelana", completou.

A ofensiva ferrenha contra o regime de Maduro foi liderada pelo ex-presidente americano Donald Trump, que prometeu enfraquecer a esquerda em todo o continente americano.

Trump impôs sanções abrangentes para pressionar Maduro, incluindo a proibição de exportação de petróleo da Venezuela.

Mas Maduro resistiu à pressão com o apoio dos militares venezuelanos, Rússia, China e Cuba, apesar de uma economia em ruínas que fez com que milhões de pessoas fugissem do país.

Biden em grande parte manteve a linha de Trump na Venezuela, embora ele tenha prometido outra abordagem apoiada por aliados dos Estados Unidos.

- "Escravos" dos EUA -O governo Maduro e a oposição voltam nesta sexta-feira à mesa de negociação, com mediação da Noruega. Uma reunião prévia será realizada, antecedendo uma semana de trabalho que começa em 30 de agosto, data considerada o início formal das negociações.

"Vamos dialogar com a oposição pró-yankee, com os escravos do governo dos Estados Unidos. É preciso conversar até com o diabo. É claro que vamos dialogar com o diabo! Vamos com a cruz e a água benta", ironizou Maduro.

O presidente pediu reconhecimento e o levantamento de todas as sanções internacionais, enquanto a delegação de Guaidó pede condições eleitorais e um cronograma que inclua comícios presidenciais, além da libertação de presos políticos.

"Hoje há união na Venezuela respaldando a possibilidade de uma solução através de um acordo integral neste momento. A maior e melhor união é a ferramenta fundamental para enfrentar este processo e hoje temos essa melhor e maior união possível", declarou Guaidó em um vídeo publicado nas redes sociais.

Maduro será representado por uma comitiva encabeçada por Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento e considerado um homem de confiança do mandatário.

O filho do presidente, o deputado Nicolás Maduro Guerra, conhecido como "Nicolasito", também fará parte da comitiva.

A oposição contará com uma delegação encabeçada pelo político e advogado Gerardo Blyde e personalidades como os ex-deputados Julio Borges -representante das Relações Exteriores de Guaidó-, Tomás Guanipa e Stalin González.

Este novo encontro acontece após uma tentativa fracassada em Barbados em 2019. Um ano antes, outro encontro aconteceu na República Dominicana organizado pelo ex-presidente espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, também sem sucesso.

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