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Bispos franceses admitem 'responsabilidade institucional' da Igreja em casos de pedofilia

Éric de Moulins-Beaufort (à direita), presidente da Conferência Episcopal e arcebispo de Reims, na França - Valentine Chapuis/AFP
Éric de Moulins-Beaufort (à direita), presidente da Conferência Episcopal e arcebispo de Reims, na França Imagem: Valentine Chapuis/AFP

Em Paris

05/11/2021 11h11

Os bispos franceses, reunidos em Lourdes (sul), decidiram "admitir a responsabilidade institucional da Igreja" nos milhares de abusos sexuais contra menores e sua "dimensão sistêmica", anunciou hoje seu chefe, Éric de Moulins-Beaufort.

"Essa responsabilidade implica um dever de justiça e de reparação", afirmou o presidente da Conferência Episcopal local, para quem os abusos ocorreram por um "contexto geral de funcionamento, mentalidades e práticas dentro da Igreja".

Em outubro, uma comissão independente calculou em um relatório que cerca de 216.000 menores foram vítimas de abusos por padres e religiosos na França entre 1950 e 2020, número que aumenta para 330.000 caso sejam considerados os trabalhadores de instituições religiosas.

O relatório da Ciase, elaborado a pedido do episcopado e de outra instituição religiosa, afirmou também que houve "entre 2.900 e 3.200 pedófilos" entre os 115.000 padres ou religiosos registrados durante essas sete décadas e que 80% de suas vítimas foram meninos de 10 a 13 anos.

A revelação deste relatório, após mais de dois anos de trabalho, abalou a França. O presidente da Conferência Episcopal pediu "perdão" às vítimas e até o papa Francisco expressou sua "imensa dor" e "vergonha" diante do alcance do escândalo.

Mas a polêmica continuou após as declarações controversas do episcopado, que afirmou que o sigilo da confissão está acima da lei, mesmo em caso de abusos contra menores. Outro tema sensível é como financiar as eventuais indenizações.

O relatório elaborado pela comissão presidida pelo ex-alto funcionário Jean-Marc Sauvé faz parte da reunião anual de bispos franceses no famoso centro de peregrinação mariana, que deve ser finalizado no início da próxima semana.

Entre suas 45 recomendações, a Ciase pediu à Igreja para reconhecer sua responsabilidade "sistêmica", social e civil nos fatos e lançar dispositivos de reconhecimento das vítimas como cerimônias públicas, missas ou memoriais.

Para financiar as indenizações das vítimas, a comissão pediu para descartar as doações dos fiéis e usar "o patrimônio dos agressores e da Igreja da França".

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