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7 meses

Justiça canadense ordena indenizar famílias de vítimas de avião derrubado no Irã

Homem observa parte do avião ucraniano Boeing 737, que caiu em Teerã, no Irã, pouco após decolar - Xinhua/Ahmad Halabisaz
Homem observa parte do avião ucraniano Boeing 737, que caiu em Teerã, no Irã, pouco após decolar Imagem: Xinhua/Ahmad Halabisaz

04/01/2022 20h21

Montreal, 4 Jan 2022 (AFP) - Um tribunal canadense ordenou uma indenização de quase US$ 85 milhões às famílias de seis pessoas mortas em um avião comercial ucraniano abatido sobre Teerã há quase dois anos - informou a imprensa local na segunda-feira (3).

Em 8 de janeiro de 2020, as Forças Armadas derrubaram o Boeing que fazia o voo PS752 da Ukraine International Airlines entre Teerã e Kiev, logo após sua decolagem. Morreram todos os 176 passageiros a bordo, entre eles 85 canadenses ou residentes permanentes.

As forças armadas iranianas admitiram três dias depois terem derrubado o avião por engano.

O juiz do Tribunal Superior de Ontário, Edward Belobaba, aprovou uma indenização de 107 milhões de dólares canadenses (em torno de US$ 84 milhões), mais juros, às famílias das vítimas que entraram com uma ação, relataram jornais locais.

Em coletiva de imprensa nesta terça-feira (4), os advogados das famílias de Mark Arnold e Jonah Arnold ameaçaram embargar ativos iranianos já que, segundo eles, "a execução da sentença sem dúvida traz desafios".

"O dinheiro não nos devolverá (nossos entes queridos)", disse, por sua vez, Shahin Moghaddam, um dos cinco demandantes, cuja esposa, Shakiba e seu filho, Rosstin, morreram no atentado.

"O propósito desta luta era obter justiça como fosse possível. É uma espécie de vitória para mim", acrescentou.

"Ato terrorista"

A defesa dos demandantes instou o governo canadense a cooperar neste caso para que as famílias possam obter esta quantia.

Em maio passado, este mesmo juiz concluiu que o Irã havia cometido um ato "terrorista", ao abater o avião, o que abriu caminho para que famílias das vítimas reivindicassem uma indenização.

O Irã denunciou essa sentença e em meados de dezembro, um grupo de quatro países - Canadá, Reino Unido, Suécia e Ucrânia - emitiu um ultimato a Teerã, dando-lhe três semanas para confirmar sua participação nas negociações sobre a indenização familiar depois de várias tentativas frustradas.

No fim de dezembro de 2020, o Irã disse que queria pagar "150 bilhões de dólares ou o equivalente em euros" a cada uma das famílias das vítimas.

O anúncio foi duramente criticado, particularmente por Kiev e pelo chefe da diplomacia canadense na época, François-Philippe Champagne.

"A questão da compensação não será estabelecida através de declarações unilaterais do Irã, mas que estará sujeita a negociações de Estado a Estado", disse na véspera do primeiro aniversário da tragédia.

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