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Major Olimpio diz que Lorenzoni não fala em nome de Bolsonaro

O senador Major Olimpio (PSL-SP) - 18.jan.2019 - Simon Plestenjak/UOL
O senador Major Olimpio (PSL-SP) Imagem: 18.jan.2019 - Simon Plestenjak/UOL

Vera Rosa

Em Brasília

12/02/2019 07h42

O PSL no Senado articula uma política de boa vizinhança com o MDB para obter os votos do partido em propostas consideradas prioritárias pelo Palácio do Planalto, como a reforma da Previdência. Disposto a retomar as relações com o partido de Renan Calheiros (AL) depois de o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, ter apoiado a eleição de Davi Alcolumbre (DEM-AP) para o comando do Senado, o líder do PSL na Casa, Major Olimpio (SP), disse aos colegas que o ministro não agiu em nome do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Major Olimpio também se candidatou à presidência do Senado, mas desistiu da disputa, no último dia 2, a pedido do PSL. Embora a estratégia do partido de Bolsonaro tenha sido montada às pressas, naquele dia, para tentar unificar a oposição a Renan no plenário, o líder da sigla no Senado afirmou que Lorenzoni "nunca deveria ter interferido" na eleição e muito menos se posicionado a favor de Alcolumbre.

"Onyx é interlocutor político do governo, mas não é o governo. Foi impróprio o que ele fez. Agora, vamos curar as feridas. Nós precisamos do MDB, assim como do PP de Esperidião Amin, por exemplo", comentou ele, em uma referência ao senador de Santa Catarina, que também concorreu à eleição.

Ao lembrar que uma proposta de emenda à Constituição, como a reforma da Previdência, precisa do apoio de 49 senadores, Major Olimpio fez mais uma crítica a Onyx Lorenzoni. "Davi Alcolumbre foi eleito com 42 votos e o governo precisa de 49 para aprovar uma PEC. Não necessariamente esse resultado vai se refletir nas votações, mas é um indicativo", argumentou o líder do PSL no Senado.

O que mais contrariou Major Olimpio foi o fato de Lorenzoni ter "dado a impressão" de que agia em nome de Bolsonaro. "Se o grupo do ministro estava ali na eleição representando o governo, quer dizer que todos os outros candidatos eram contra o governo? E eu era o quê? Não existe ninguém mais governo do que eu", afirmou o senador.

Articulador político do Planalto no Congresso, Lorenzoni não responde a críticas de aliados sobre sua atuação no Senado. "Isso faz parte", desconversa ele, sempre que questionado sobre o assunto. "Eu estou na paz."

Mesmo assim, apesar de capitanear a estratégia para derrubar Renan, o chefe da Casa Civil afirmou que vai conversar nos próximos dias com o MDB, a maior bancada no Senado. Na prática, o Planalto quer investir no racha do MDB e se aproximar da ala do partido que é contrária a Renan.

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A senadora Simone Tebet (MDB-MS), por exemplo, será presidente da Comissão de Constituição e Justiça. No último dia 2, Simone - desafeta de Renan - retirou a candidatura avulsa no Senado e apoiou Alcolumbre. O MDB também deverá comandar a Comissão Mista de Orçamento. Na Mesa Diretora da Casa, porém, o partido ficou apenas com a Segunda-Secretaria.

Depois do confronto do último dia 2, Renan se refugiou no interior de Alagoas. Em conversas reservadas, disse ter sido "traído" pelo senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Ele contava com o respaldo de Flávio, mas, na segunda votação, o filho de Bolsonaro foi à tribuna e, pressionado pelas redes sociais, rompeu o sigilo. Abriu o voto, anunciando aval a Alcolumbre.

A volta de Renan ao Senado está prevista para esta semana. Nos bastidores, seus interlocutores argumentam que, com o "ódio encapsulado", ele será o líder da oposição. Para o ex-senador Paulo Bauer (PSDB-SC), no entanto, nada é definitivo. "Renan já se reinventou várias vezes. Não custa se reinventar de novo", amenizou Bauer, secretário especial da Casa Civil para cuidar de assuntos do Senado. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".