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Witzel: "bloqueio de diálogo com o Congresso retarda progresso do país"

Posicionamento marca novo distanciamento entre governador do RJ e presidente da República - DIKRAN JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO
Posicionamento marca novo distanciamento entre governador do RJ e presidente da República Imagem: DIKRAN JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

Vinicius Neder

Rio

26/02/2020 18h47

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou em nota divulgada hoje que "presidentes que bloquearam o diálogo com o Congresso não conseguiram colocar em prática projetos para o bem comum e retardaram o progresso e a evolução de nosso país", numa referência ao fato de o presidente Jair Bolsonaro ter usado seu celular pessoal para disparar, via WhatsApp, um vídeo convocando apoiadores a irem às ruas no dia 15 de março para defendê-lo. A manifestação convocada por grupos de direita o repúdio ao Congresso.

"O Brasil precisa fortalecer suas instituições, para realizar as reformas essenciais ao desenvolvimento econômico e social que nosso povo anseia. Historicamente, presidentes que bloquearam o diálogo com o Congresso não conseguiram colocar em prática projetos para o bem comum e retardaram o progresso e a evolução de nosso país. Não podemos esperar mais para gerar emprego e renda para milhões de desempregados e subempregados", diz a nota de Witzel, que está em viagem oficial aos Estados Unidos.

Na nota, o governador fluminense cobrou diálogo. "Somente com diálogo, respeito à democracia e às instituições, aos representantes legitimamente eleitos e ao pacto federativo é que o país voltará a crescer", termina o texto divulgado por Witzel.

Revelado na noite de ontem pela jornalista Vera Magalhães, editora do BRPolítico e colunista do Broadcast Político/Estadão, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, o disparo do vídeo foi confirmado por Bolsonaro na manhã de hoje em duas contas nas redes sociais. Sem citar o vídeo, Bolsonaro disse que se tratou de "troca mensagens de cunho pessoal, de forma reservada". "Qualquer ilação fora desse contexto são tentativas rasteiras de tumultuar a República", diz o texto publicado pelo presidente.

Witzel despontou como azarão nas eleições de 2018 e se elegeu na esteira dos votos em Bolsonaro, especialmente por causa do discurso sobre segurança pública. Ao longo do primeiro ano de mandato, porém, procurou se distanciar politicamente de Bolsonaro, se posicionando como adversário. No discurso político, Witzel já chamou o presidente de "despreparado" e tem declarado que o Planalto não sabe dialogar com os governadores. No fim do ano passado, Witzel comparou o discurso de Bolsonaro ao de líderes autoritários. "É um vocabulário (o de Bolsonaro) de quem não respeita a diversidade de opiniões", disse o governador, na ocasião.

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