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Em SP, falta de itens para kit-intubação aumenta

Pelo menos 591 serviços municipais de saúde de São Paulo estão com os estoques de bloqueadores neuromusculares zerados - Axel Heimken/dpa/Pool/dpa/AFP
Pelo menos 591 serviços municipais de saúde de São Paulo estão com os estoques de bloqueadores neuromusculares zerados Imagem: Axel Heimken/dpa/Pool/dpa/AFP

Priscila Mengue e Roberta Jansen

São Paulo e Rio

09/04/2021 13h00

Pelo menos 591 serviços municipais de saúde de São Paulo estão com os estoques de bloqueadores neuromusculares zerados. Os sedativos estão em falta em 342 serviços. Os dois medicamentos são essenciais para a intubação de pacientes - procedimento que se tornou mais frequente por ser usado no tratamento dos casos mais graves de covid-19. Médicos estão recorrendo a remédios mais antigos, já fora de uso, para suprir a escassez.

Os dados são de levantamento divulgado pelo Conselho de Secretários Municipais de Saúde de São Paulo (Cosems/SP). Como o Estadão já havia noticiado, não só hospitais, mas também Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), pronto socorros e até postos de saúde recebem pacientes de covid.

A Secretaria Estadual de Saúde diz que o Ministério da Saúde não está enviando os medicamentos nas quantidades necessárias. "Após constantes cobranças, o governo federal liberou para o estado de São Paulo desde a última semana de março 215.313 ampolas de neurobloqueadores e anestésicos, o que corresponde a apenas 6% do que é necessário para atender a demanda mensal da rede pública, de 3,5 milhões." O ministério não se manifestou.

O levantamento do Cosems/SP foi feito com 1.514 serviços de saúde de 265 municípios. "Estamos usando sedativos e bloqueadores mais antigos, tentando resgatar medicamentos que usávamos lá atrás para que ninguém fique sem assistência", afirmou Geraldo Reple, presidente do Cosems/SP e secretário municipal de Saúde de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. "Estamos revendo todos os protocolos."

Oxigênio

A questão do oxigênio também preocupa, menos pela escassez em si, mais pela logística de distribuição. "Temos uma boa capacidade de produção", afirmou Reple. Com o aumento dos casos, os cilindros de oxigênio precisam ser trocados com muito mais frequência. "E isso é complicado em cidades mais distantes."

Um outro levantamento divulgado ontem, dessa vez pelo Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), indica que, em todo o Brasil, gestores de 1.068 municípios relataram preocupação sobre o estoque de cilindros de oxigênio e até risco de desabastecimento nos próximos dias se a curva de casos de covid-19 se mantiver em alta e houver novos entraves junto a fornecedores. Até as 20 horas, o Ministério da Saúde também não havia se manifestado sobre a questão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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