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1 mês

CPI desiste de ouvir Queiroga e vai convocar médico contra 'kit covid'

Lauriberto Pompeu

Brasília

12/10/2021 15h41

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado desistiu de ouvir o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. "Não vai contribuir muito. Palco para bolsonarista", disse o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), ao Estadão. O ministro seria ouvido pela terceira vez.

Os senadores pretendiam obter de Queiroga informações como as relacionadas ao calendário de vacinação contra covid em 2022. Algo que foi respondido pelo ministro na semana passada.

O depoimento do ministro estava previsto para acontecer na próxima segunda-feira, 18. No lugar dele, a comissão quer ouvir na segunda o médico Carlos Carvalho, que coordenou um estudo contra o uso do chamado "kit covid", que é defendido pelo governo federal e usa substâncias com ineficácia comprovada no tratamento do coronavírus, como cloroquina e ivermectina. A convocação do médico ainda precisa ser votada pela CPI.

O estudo de Carvalho foi encomendado pelo governo e seria analisado no início de outubro pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), órgão do Ministério da Saúde, mas foi removido de pauta.

De acordo com Omar Aziz, a próxima semana será a última da CPI. A sessão de terça-feira, 19, será reservada para a leitura do parecer do relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), e a reunião de quarta-feira, 19, será a votação do relatório do emedebista.

No último dia 5 de outubro, Renan Calheiros disse que o relatório final da comissão vai pedir "com certeza" o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro. Pelas apurações da CPI, Bolsonaro pode ser enquadrado em crimes como os de charlatanismo, infração a medida sanitária preventiva e crime contra a humanidade por conta da atuação na pandemia.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.