Quase metade da Itália vive em zona de risco de terremoto

ROMA, 24 AGO (ANSA) - Ao menos 24 milhões de pessoas vivem em áreas com risco de terremotos na Itália, de acordo com informações divulgadas por geólogos locais que analisam o tremor de terra de 6,2 graus que devastou a zona central do país nesta madrugada (24). "A região que foi atingida hoje é considerada como de alto risco por abranger quase a totalidade da cadeia montanhosa dos Apeninos, do norte ao sul", disse o presidente do Conselho Nacional de Geologia, Francesco Peduto. "Nesta noite, uma falha apenina se moveu", explicou o especialista, referindo-se à tragédia que devastou as regiões do Lazio e de Marcas, às 3h36 da manhã. Peduto, porém, destacou que "a Itália inteira está em uma zona de risco, porque é um país geologicamente jovem". "Não há territórios na Itália totalmente isentos de terremoto". Ele alertou para a necessidade de uma "cultura de prevenção" que coloque em segurança os prédios históricos e público e que seja disseminada desde cedo, nas escolas infantis. "Estamos distantes de uma cultura de prevenção. Seria necessária uma normativa mais adequada com a situação do território italiano É fundamental que exista um plano de governo para proteger todos os edifícios públicos", criticou. Já o presidente da Fundação de Centro de Estudos do Conselho Nacional de Geólogos, Fabio Tortorici, disse que um terremoto de grande dimensão, superior a 6,3 graus, ocorre, em média, a cada 15 anos na Itália.   

"Por isso, é necessário uma atualização constante dos mapas de risco sísmico do território nacional, assim como a presença de geólogos em cada cidade", ressaltou o especialista. O terremoto desta madrugada foi registrado às 3h36 (hora local), com epicentro a 2 km de Accumoli, situada a 145 km de Roma, onde o sismo também foi sentido. Seu hipocentro - ponto onde se origina um terremoto - ocorreu a apenas 4 km de profundidade. Às 4h32, duas réplicas foram percebidas, uma nas proximidades de Norcia, na região da Úmbria, e outra em Castelsantangelo sul Nera, em Marcas. Nas horas seguintes, mais de 60 réplicas com magnitudes superiores a 2 graus foram registradas no território italiano. A Defesa Civil, que já confirmou a morte de 120 pessoas, mas que ainda busca por dezenas de desaparecidos, comparou este tremor de terra com o ocorrido em 6 de abril de 2009, de 6,3 graus, também no centro da Itália, atingindo a província de L'Aquila, que até hoje luta para se reconstruir. Na ocasião, 309 pessoas morreram. O grande número de mortos fez a Justiça abrir processos para investigar os danos que poderiam ter sido evitados com um sistema de prevenção. Desde o ano 2000, a Itália registrou 12 terremotos de grande intensidade, todas provocadas pelo atrito entre as placas tectônicas da África e da Eurásia, que ficam exatamente abaixo de cidades como L'Aquila e Perugia. Além disso, a movimentação no Mar Tirreno e nos Apeninos, colocam o país em uma escala maior de riscos. Os tremores de terra também costumam ter um alto balanço de mortos devido às construções antigas da Itália, muitas tombadas como patrimônio histórico. (ANSA)
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