Documentos sobre morte de JFK mostram suspeitas sobre URSS

WASHINGTON, 27 OUT (ANSA) - Com a divulgação de mais de 2,8 mil documentos sobre a morte do ex-presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy, novos detalhes sobre a dinâmica do assassinato de 1963 estão surgindo. Entre os pontos mais interessantes destacados pela mídia norte-americana, estão uma possível conexão do atirador Lee Harvey Oswald, morto dois dias após assassinar o mandatário, com a polícia secreta da então União Soviética, a KGB, e suspeitas sobre a relação com Cuba. Segundo um dos memorandos do FBI, os soviéticos chegaram a pensar em uma "conspiração bem organizada" da ultradireita nos Estados Unidos porque temiam que algum "general irresponsável" lançasse um míssil contra seu território por conta do assassinato. Já um memorando da CIA sugere que Oswald conversou com um oficial da KGB na Embaixada da Rússia na Cidade do México, dois meses antes de assassinar o presidente. Esse representante seria o responsável pela seção de "sabotagem e assassinatos" da polícia secreta soviética. No entanto, em outro documento do FBI, há a informação de que os dirigentes daquele país consideravam o atirador um "maníaco neurótico". Outro texto mostra o registro de uma conversa entre dois cubanos, um dos quais identificado como um espião do governo, em que um deles afirma que conhecia Oswald e o considerava um "bom atirador". Por conta da suspeita de que Cuba tivesse alguma ligação com a morte, o procurador-geral Robert Kennedy, em 1975, afirmava a um dirigente que a CIA tinha conseguido um intermediário para se aproximar de um "mafioso". Esse homem receberia US$ 150 mil para matar o líder cubano, Fidel Castro, por envenenamento.   

Um dos documentos já analisados mostra que o presidente Lyndon B. Johnson, que era vice de Kennedy e que assumiu o posto após a morte do democrata, acreditava que o crime fora cometido como uma resposta ao assassinato do presidente do Vietnã, Ngo Dinh Diem, durante a guerra.   

Um memorando do FBI fala sobre a proteção de Oswald após assassinar Kennedy. No texto, o diretor do FBI, J. Edgar Hover, afirma que "notificou o chefe de polícia" e que ele "garantiu que Oswald teria proteção suficiente". A notificação ocorreu porque a polícia recebeu uma ameaça de morte contra Oswald, uma noite antes do crime. Porém, essa proteção não foi suficiente e o assassino acabou sendo morto por Jack Ruby, dono de um clube na cidade de Dallas, durante uma de suas saídas escoltadas da delegacia para a prisão.   

De acordo com o jornal "The New York Times", a maior parte dos dados analisados até o momento mostram "o drama e o caos" que foram os dias e meses que se sucederam após o crime. No entanto, uma parte da documentação, que foi divulgada pelo Arquivo Nacional, não foi tornada pública por Donald Trump, após a solicitação tanto do FBI como da CIA, por conterem informações que podem trazer "perigo" para a segurança da nação. O republicano colocou sigilo por mais seis meses nessa documentação, que representa cerca de 5% dos dados.   

O assassinato do presidente Kennedy, um dos mais emblemáticos da história recente dos EUA, ocorreu no dia 22 de novembro de 1963, enquanto ele desfilava em carro aberto na cidade de Dallas. A investigação final do crime, divulgada em setembro de 1964, mostrava que Oswald atirou do teto de um prédio e que "não há evidência de que tanto Lee Harvey Oswald ou Jack Ruby sejam parte de qualquer conspiração, doméstica ou internacional". - Telefonema para jornal: Outro fato interessante revelado até o momento é de que o jornal britânico "Cambridge News" recebeu um telefonema anônimo, cerca de 25 minutos antes do assassinato, informando que "uma grande notícia" estava para acontecer nos Estados Unidos. Esse documento havia já sido divulgado em julho, mas passou despercebido pela mídia do país naquela época. O memorando, datado em 26 de novembro de 1963, foi enviado pelo vice-diretor do FBI, James Angleton, ao diretor do 'bureau', Hoover. A informação havia sido repassada pelo serviço secreto britânico aos norte-americanos. (ANSA)
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