Alguém já sabe o que é "Covfefe"? Esse e outros tuítes polêmicos resumem o ano de Trump

Luciana Ribeiro

Em São Paulo

  • Josh Haner/The New York Times/arquivo

    Donald Trump usar o Twitter em seu celular em seu escritório na Trump Tower antes de tomar posse

    Donald Trump usar o Twitter em seu celular em seu escritório na Trump Tower antes de tomar posse

Desde que assumiu a Presidência dos Estados Unidos, em 20 de janeiro de 2017, Donald Trump optou por governar de uma maneira inédita. Em seu primeiro ano à frente da Casa Branca, o republicano, embora tenha tido dificuldades para colocar em prática suas principais promessas de campanha, tem se manifestado e até mesmo anunciado reviravoltas políticas de maneira desenfreada no Twitter.

"Pode ser uma estratégia de repercussão social, porque os tuítes que ele publica geram uma repercussão enorme, o que potencializa o assunto na imprensa. Isso faz parte de uma estratégia política para marcar posição, agradar o eleitorado e se mostrar mais ativo", disse Maurício Fronzaglia, professor de relações internacionais da Universidade Mackenzie.

A eleição de Trump abriu uma era de incertezas. Ele quebrou quase todas as regras da Presidência e manteve seu primeiro ano à frente da maior potência mundial em permanente conflito "digital". Seja com publicações contra a imprensa, críticas aos seus aliados ou adversários, e até ameaças contra a Coreia do Norte.

"Ele contesta o Estado, a política e oferece medidas muito drásticas. Algo de um certo comportamento egocêntrico, de tentar chamar atenção para si pelo impacto de sua imagem, das suas ideias e suas palavras", explicou à ANSA Alcides Vaz, professor de relações internacionais da Universidade de Brasília.

Para ele, é muito provável que, depois do término de seu governo, os tuítes sejam o legado público de sua interação com todos os usuários da rede social.

Entre tuítes e retuítes, a conta do magnata já ultrapassou mais de duas mil interações desde janeiro de 2017 e cerca de 45 milhões de seguidores. Para manter todo o conteúdo salvo, o site "Trump Twitter Archive" salva, arquiva e categoriza todos os tuítes que o presidente norte-americano escreve.

O ano em tuítes

Na retrospectiva do primeiro ano do governo Trump, confira as principais e polêmicas publicações do chefe de Estado na rede social: No dia 20 de janeiro, o então presidente eleito fez seu primeiro tuíte às 10h30 local, enquanto ainda caminhava ao Capitólio para a posse.   

Sete dias depois de tomar posse, Trump assinou um decreto presidencial no qual impunha um bloqueio de 90 dias à entrada de viajantes de sete países de maioria muçulmana e um bloqueio de 120 dias à entrada de todos os refugiados. A medida causou um caos em muitos aeroportos internacionais dos Estados Unidos e diversas pessoas organizaram protestos por todo o país.   

O decreto foi rapidamente bloqueado em tribunal, tal como uma versão modificada apresentada em março, que retirava o Iraque da anterior lista de países. Uma terceira versão do bloqueio, que acrescentava à lista os cidadãos da Coreia do Norte e alguns venezuelanos, deveria ter entrado em vigor em meados de outubro. Mais uma vez os tribunais bloquearam a medida.   

Em um primeiro tuíte, Trump afirma que "o juiz abriu nosso país para terroristas em potencial e pessoas que não tem nossos melhores interesses em mente. As pessoas más estão muito felizes!".

 

Em seguida, o presidente afirmou que não acredita "que um juiz poderia colocar nosso país em um perigo destes. Se algo acontecer, culpem a ele e ao sistema judicial". "Está 'chovendo' gente", escreveu.   

Ainda em fevereiro, Trump também deixou claro sua relação de amor e ódio com a imprensa. Amor com periódicos que o apoiam, como a rede de TV FoxNews, o jornal The Washington Times. E ódio com todo o resto, especialmente aqueles que publicam notícias que o magnata classifica como fakeNews.   

O mandatário, inclusive, postou um GIF em que batia em um oponente cuja cabeça havia sido substituída pelo logo da rede de TV CNN - este foi o post com maior interação, com quase 370 mil retuítes.   

"Qualquer pesquisa negativa é falsa, como as da CNN, ABC, NBC eram durante as eleições. Desculpem, as pessoas querem segurança na fronteira e vetos extremos".   

O ator e ex-governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, respondeu em vídeo a uma provocação de Trump durante um discurso, em que ele dizia que o ex-governador foi demitido como apresentador do programa de TV, "O Aprendiz", por baixos índices. Por sua vez, o presidente não deixou sem a tréplica e disse que Schwarzenegger foi péssimo como governador da Califórnia e como apresentador. "Sim, Arnold Schwarzenegger fez um péssimo trabalho como Governador da Califórnia e um pior ainda no Aprendiz? mas ao menos ele tentou!".

Até mesmo o cantor Snoopdoog foi alvo dos comentários de Trump. Quando o rapper lançou um videoclipe em que atirava num palhaço vestido e com as feições do presidente, o magnata veio à tona dizer que sua carreira estava falida.   

"Vocês conseguem imaginar o choro se @SnoopDogg, com sua carreira falida e tudo, tivesse apontado uma arma para o Presidente Obama? Cadeia!" Durante os primeiros meses de mandato, Trump conseguiu confirmação do Senado para apenas 49 cargos nomeados pelo governo. Mesmo com os republicanos tendo 52 dos 100 assentos no Senado, uma franca maioria, Trump culpa os Democratas, afirmando que eles obstruíram o processo.   

"Os Democratas do Senado só confirmaram 48 das 197 nomeações presidenciais. Eles não conseguem vencer então tudo que fazem é desacelerar as coisas e obstruir!" Outro tuíte polêmico diz respeito a uma das principais bandeiras levantadas por Trump durante sua campanha eleitoral. O norte-americano afirmou que o México pagaria pelo muro na fronteira.   

"Eventualmente, mas em uma data tardia para que possamos começar cedo, o México vai pagar, de alguma forma, pelo tão necessitado muro na fronteira".   

No entanto, o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, já negou que irá tirar qualquer centavo de seu país para arcar com o custo. Em outubro, trabalhadores iniciaram a construção de protótipos do muro entre os dois países. Uma das mais controversas e criticadas decisões do governo Trump foi o afastamento repentino do diretor do FBI James Comey, em 09 de maio. Depois de demiti-lo, o magnata afirmou várias vezes que não estava sendo investigado no processo sobre a interferência Rússia nas eleições.   

Trump cometeu uma gafe e postou em sua conta que estava, sim, sendo investigado. O caso gerou comoção nacional nos Estados Unidos.   

"Eu estou sendo investigado por demitir o diretor do FBI pelo homem que me disse para demitir o diretor do FBI! Caça às bruxas".   

Após diversas críticas por parte da imprensa de sua conduta e comportamento nas redes sociais, Trump fez questão de publicar um tuíte para dizer o que acha sobre seu hábito.   

"Meu uso de mídia social não é presidencial - é PRESIDENCIAL DOS TEMPOS MODERNOS. Faça a América Grande Novamente!" Além disso, ele aproveitou para fazer piada de um erro de digitação que ficou famoso: "Covfefe". Trump, sem querer, enviou um tweet mal digitado e a repercussão foi imediata, mesmo tendo sido apagado.   
 

"Quem consegue adivinhar o real significado de "covfefe" ??? Divirtam-se!" Durante este ano, Trump também não ficou calado com a expansão dos testes de mísseis intercontinentais da Coreia do Norte e as ameaças do ditador Kim Jong-il. Em abril, ele chegou a dizer que o país "estava procurando por problemas".   

"A Coreia do Norte está procurando por encrenca. Se a China decidir ajudar, seria ótimo. Se não, nós resolveremos o problema sem eles! E.U.A.", escreveu.   

Embora o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, venha tentando uma abordagem mais em torno do diálogo com os norte-coreanos, Trump clama por sanções econômicas e militares. "A Coreia do Norte acabou de lançar outro míssil. Esse cara não tem nada melhor pra fazer com a vida dele?", tuitou.

O presidente dos Estados Unidos chegou a comentar que as gestões do governo chinês para convencer a Coreia do Norte a mudar de rumo em relação a seu programa nuclear e de mísseis surtiu pouco efeito. Na mensagem, Trump ainda se referiu ao líder norte-coreano, Kim JongUn, como "Homenzinho do Foguete". "O enviado chinês, que acaba de retornar da Coreia do Norte, parece não ter tido nenhum impacto sobre o Homenzinho do Foguete", escreveu.

No que diz respeito aos confrontos violentos registrados durante uma marcha supremacista branca em Charlottesville, na Virgínia, Donald Trump condenou todas as ações que representam o ódio e pediu a união dos norte-americanos em um tuíte "vago". "Devemos estar todos unidos e condenar tudo o que representa o ódio. Não há lugar para esse tipo de violência nos EUA. Vamos nos unir como um só", escreveu.

Uma das últimas publicações mais polêmicas do republicano foi o compartilhamento de três vídeos antimuçulmanos que originalmente foram postados por uma líder de um partido britânico de extrema-direita. A primeira-ministra britânica, Theresa May, repudiou a atitude do presidente norte-americano. Um dos vídeos mostra o que seria um grupo de militantes islâmicos matando um homem.

O outro mostra um suposto imigrante muçulmano batendo num rapaz holandês de muletas. O terceiro vídeo mostra um homem que seria muçulmano destruindo uma imagem de Nossa Senhora.

Em 2017, o uso corriqueiro dos tuítes pelo magnata foi uma questão que ganhou importância, principalmente devido a polêmica que as gigantes da tecnologia como Facebook, Google e Twitter se envolveram durante o ano pelo suposto envolvimento na operação russa de compra de anúncios para disseminar desinformação entre os eleitores na tentativa de influenciar a eleição presidencial dos Estados Unidos.

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